O funeral do €uro? Calma, ainda falta um bocado…

Diz Paul Krugman no blog dele:

Alguns entre nós falou disso e é assim que pensamos acerca de como vai acabar este jogo:

1. Saída da Grécia do Euro, provavelmente no próximo mês.

2. Retiradas maciças de dinheiro dos bancos espanhóis e italianos, porque os depositantes tentarão movimentar o próprio dinheiro em direcção da Alemanha.

3a. Talvez, apenas como possibilidade, o controles de facto, para proibir que os bancos possam transferir os depósitos fora do País e limites para os levantamentos em dinheiro.

3b. Alternativamente, ou talvez em conjunto, pedido de enormes crédito ao BCE para evitar que os bancos entrem em colapso.

A Alemanha pode escolher:

  1. Aceitar a persistência das enormes dívidas públicas da Itália e Espanha, bem como uma revisão drástica da estratégia, essencialmente para dar a Espanha, em particular, uma esperança de manter as taxas de juros baixas para garantir a contenção da sua dívida e uma meta de inflação maior na área do Euro para garantir que os preços possam realinhar-se.
  2. Fim do Euro.
E estamos a falar de meses, não de anos, para ver o fim deste jogo.

Faz sentido. Faz.
É este o futuro imediato? Pode ser, mas não acho.

Que fique claro: o destino de Euro já está marcado, no máximo pode ser adiada a data final. Só que assim é demasiado simples. Krugman esquece (ou melhor: finge esquecer) que o Euro é muito mais de que um projecto monetário ou económico, é também e sobretudo um projecto político. É a outra face do projecto chamado Dólar.

É verdade que na fase final duma expansão monetária não há maneira de evitar o colapso e o choque posterior;podemos adiar, como afirmado e tal como aconteceu nos últimos anos, mas não evitar.
Mas com a queda do Euro entra em crise também a União Europeia e isso não vai acontecer de forma tão básica: hã forças que tentarão tudo e mais alguma coisa para evitar que isso possa acontecer, inclusive a opção militar.

Não é simples, pois na Europa não somos acostumados às medidas autoritárias que costumam ser tranquilamente aplicadas pelos Estados Unidos (dentro e fora dos próprios confins): mas se a Eurogendfor foi criada, alguma utilidade terá que ter cedo ou tarde.

(Inclusive: encontrei um artigo segundo o qual a “superpolícia” europeia já estaria na Grécia, mas nada de confirmações, por isso fica apenas a dúvida.)

Não estamos a lidar só com um grupo de economistas loucos que moram em Bruxelas: é mais do que isso, pois a economia é o instrumento, não o fim.

O que Krugman faz é continuar a atitude de “terrorismo” geopolítico na esperança de poder acelerar a queda do Euro, pois sabe que nesta altura até um “empurrãozinho” pode ter sérias consequências. Há anos que observamos estes “empurrãozinhos” anglo-saxónicos, que cedo ou tarde serão bem conseguidos.
Na altura, o Dólar terá um pouco de oxigénio, necessário em vista do conflito com o bloco russo e, sobretudo, asiático.

O Euro, por seu lado, nasceu com o DNA estragado (ignorou-se a Área monetária óptima, por exemplo, na convicção de poder sucessivamente optimizar todos os Países da Zona NEuro) e o destino está marcado.

Tony Thirlwall, um dos mais conceituados economistas keynesianos, no livro The Folly of the Euro (“A folia do Euro”, 1998, pág. 5. É favor reparar na data…):

Podemos todos nos unir por trás da bandeira do desejo de paz e da cooperação na Europa [...] mas mesmo que a união política fosse uma meta desejável, o euro seria uma estrada cheia de perigos e com igual probabilidade poderia levar à desintegração da integração económica e política. O “pensamento positivo” dos políticos muitas vezes têm o péssimo hábito de afastar o senso comum.

Mas as Mentes Pensantes de Bruxelas não vão abandonar os jogos tão facilmente e Krugman precisará de outros empurrãozinhos.
Não muitos, mas ainda alguns…

Ipse dixit.

Fontes: Paul KrugmanWikipediaGoofynomics (contém link para a versão inglesa em Pdf do livro de T. Thirlwall)
Imagem: Patrick Blower

FONTE

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Imagem mostra correria em shopping durante tremor em Montes Claros

19/05/2012

Segundo os bombeiros, foram recebidas mais de 300 ligações.
UnB informou que intensidade pode chegar a 4 graus na escala Richter.

As imagens de uma câmera do circuito interno de um shopping popular registraram a correria no momento do tremor de terra neste sábado (19) em Montes Claros, na Região Norte de Minas Gerais. Várias pessoas assustadas foram para o meio da rua. De acordo com o Corpo de Bombeiros, foram recebidas mais de 300 ligações desde às 11h, mas não houve registro de feridos.

De acordo com o chefe do Observatório Sismológico da Universidade de Brasília (UnB), Lucas Barros, a intensidade pode ter ficado entre 3,6 e 4 graus na escala Richter.

Ainda segundo Barros, universidade ainda não teve acesso a medição precisa da intensidade porque houve uma interrupção na recepção dos dados uma hora antes do tremor. A UNB informou que está analisando a possibilidade dos dados estarem em outras estações.

De acordo com o Corpo de Bombeiros, o tremor foi sentido às 10h50 e durou cerca de 3 segundos. Ainda segundo a corporação, alguns imóveis sofreram rachaduras e a Defesa Civil está ajudando nas vistorias.

Montes Claros fica a 417 quilômetros de Belo Horizonte.

VEJA O VIDEO AQUI > http://g1.globo.com/minas-gerais/noticia/2012/05/imagem-mostra-correria-em-shopping-durante-tremor-em-montes-claros.html

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Contagem Regressiva para o colapso do Euro

E acabamos a semana com as notícias divertidas da União Europeia.

As instituições do Velho Continente estão a apodrecer e estudar cenários para uma bancarrota na Grécia, segundo o comissário europeu do Comércio, Karel de Gutch, numa entrevista ao diário De Standaard:

Há um ano e meio, talvez houvesse o perigo de um efeito dominó, mas hoje em dia há, quer no Banco Central Europeu quer na Comissão Europeia, serviços que estudam os cenários de emergência ou para o caso de a Grécia não se aguentar

Tradução: há um ano e meio havia o perigo da Grécia sair do Euro, hoje as probabilidades aumentaram e muito.

Será por causa disso que os cidadãos do País helénico fazem a fila nos bancos para retirar o dinheiro das contas? E será por causa disso que o mesmo parece começar em Espanha também?

O Governo alemão já veio dizer estar preparado para todas as eventualidades

O Governo alemão é, naturalmente, responsável perante os seus cidadãos por estar preparado para qualquer eventualidade

Tradução: Sim, a Grécia vai sair. E nós que podemos fazer?

Angela Merkel, a chancelera alemã, ligou para Atenas e disse ao presidente grego Carolos Papoulias que a solução melhor seria formar um governo estável após as eleições legislativas.
Também acrescentou que as rosas florescem em Maio e que a água molha, pelo que Atenas agradeceu a entrega de tamanha sabedoria, ainda por cima sem juros.

Não satisfeita, a simpática Merkel sugeriu a possibilidade da Grécia realizar um referendo sobre a permanência na Zona NEuro, em paralelo com as legislativas do dia 17 de Junho.
Engraçado que no passado Outubro, a mesma Merkel reagiu de forma muito crítica à sugestão do então primeiro-ministro George Papandreou de realizar tal referendo.

Boa a observação de Alexis Tsipras, líder do partido Syriza:

Os dirigentes europeus e especialmente a senhora Merkel devem parar de brincar com a vida das pessoas.

Boa mas inútil: o jogo é demasiado importante.

Entretanto, um porta-voz da Comissão Europeia disse que não há qualquer planeamento:
A Comissão Europeia nega firmemente [que] esteja a trabalhar num cenário de saída da Grécia.
Tradução: Estamos a trabalhar num cenário de saída da Grécia, mas não digam isso, valha-me Deus.
Mas as declarações melhores são de Jean-Claude Trichet, ex presidente do Banco Central Europeu e membro do Grupo dos Trinta: o cromo sugere mesmo a perda de soberania económica para os Países que ponham em risco outras Nações da Zona NEuro devido à incapacidade de aplicar o Verbo das autoridades europeias.

Neste caso:

Julgo que deve ser activado excepcionalmente um governo federal.
Isso é: a perda da soberania, com um governo imposto por Bruxelas.

Fantástica a justificação desta medida: teria de ser aprovada pelo Parlamento Europeu para ter um suporte democrático e impedir um governo “tecnocrático ou anti-democrático”.
O que significa: temos que destituir o governo democraticamente eleito pelos cidadãos e substitui-lo com o nosso para salvaguardar a democracia.

Perante raciocínios como estes eu dobro-me e admito a minha inferioridade: nunca conseguirei atingir um nível de contorcionismo cerebral tão elevado. Ao mesmo tempo, é nestas ocasiões que surge a maior dúvida: é um génio ou um pobre deficiente?

Obviamente Trichet reconhece que esta medida é “difícil” de aceitar, provavelmente porque sabe que em circulação há ainda pessoas normais, mas nada que não possa ser resolvido com um pouco de paciência e boa vontade.

Eu fico com as medidas que apresentei há uns meses e que acho estar na mesma linha de pensamento de Trichet.

  • Ocupação militarmente do País culpado
  • Venda integral do património estatal.
  • Escravização e venda dos cidadãos no mercado das commodities.
  • Leilão pela assinação do território do País culpado ao melhor oferente.

Fascismo? Não, democracia aplicada.

Seja como for, na Zona Neuro parece ter começado aquela que no Brasil chama “contagem regressiva”.

FONTE

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O Grupo dos Trinta – Programando o Colapso Financeiro Mundial

Um prefácio? Até tinha escrito um.

Depois pensei: “Tempo perdido. Publica e nada mais”.
Sim, acho que é isso. Não quero gastar o tempo dos Leitores e o meu também.

Enquanto deixamos que a nossa vida seja vendida como uma mercadoria qualquer, preferimos preencher o vazio com lobisomens, aventais, caveiras, antigos rituais ou beber da Fonte da Santa Ignorância, a televisão.

Aqui há uma conspiração, mas nada de alienígenas, vampiros ou Bicho-papão. É uma das conspirações nos moldes das leis. As mais aborrecidas e as únicas que resultam.

O que tinha escrito? “É preciso estudar”? Sim, sim, tá bom… No dia seguinte aparece um link para ver uma menina nua que dança numa festa maçónica.
Quem quer entender que entenda. E paciência.

Derivativos

O resultado dos Derivativos , que são produtos financeiros inteiramente compreensíveis para pouco mais de 200 pessoas em todo o mundo, é a crise financeira de 2007-2012. Foi uma brincadeirinha começada no escritório da AIG de Joseph Cassano em Londres, para iniciar um colapso global.

Não que tudo tenha sido culpa da AIG, porque antes já tinha nascido a bolha dos Derivativos dos subprime nos Estados Unidos, a bolha imobiliária, os criminosos Mers, os Servicers e os Derivativos tipo Frankestein (uma criação de Wall Street) que em breve acabaram por infectar todo o mercado financeiro e os bancos. A partir dai foi (e ainda é) possível começar o mantra do “controle orçamental”, da “austeridade”, o pesadelo da “Dívida Pública”.

De facto: esvaziar os Estados para torna-los impotentes.

Breve parênteses.
Tenho uma certa admiração acerca de quem inventou o esquema: foi possível criar algo com o qual apresentar ao povo-boi dados que “demonstram” como um excesso de despesa foi mortal pelas finanças dos vários Países.

Admiração? Sim, mesmo isso, dito sem ironia. Meus amigos, temos de reconhecer que foi e ainda é uma obra prima: é preciso saber pegar na arma que fica nas mãos dos cidadãos e torna-la numa arma contra os cidadãos. Cérebros finos, disso não há dúvidas.

E o resultado é que as pessoas, nas ruas, hoje falam da dívida pública como do pecado mortal dos anteriores políticos. Doutro lado, uma eventual tomada de consciência na internet é mantida sob controle com notícias estúpidas, sem sentido, até ridículas. Assim, nas ruas é maldita a salvação da sociedade enquanto no mundo informático é apontado o Bicho-papão.

Genial.
Mas fechamos a parênteses.

Os Derivativos são armas de destruição de massa, e “massa” é a palavra certa uma vez que estes activos-Frankenstein percorrem o planeta sem nenhum controle ou regulação para um valor total que assusta qualquer calculadora portátil.

Em 1994 o alarme tocou, com a Merrill Lynch que fez desaparecer 1,5 biliões de activos em Orange County (EUA), mas ninguém ligou e os activos continuaram a percorrer alegremente o planeta todo, até ocupar qualquer instituição bancária. Ainda hoje, os contratos OTC (Over the Counter, sempre produtos Derivativos) são livremente usados para destruir, como bem sabe o criminoso John Paulson.

Usando os Derivativos , um punhado de especuladores pode tranquilamente afundar um Estado soberano do G8, empurrá-lo até à beira da falência com consequências horríveis que têm o nome de desemprego, subemprego, suicídios, pobreza; pode obriga-lo a vender o património dos cidadãos, cortar salários, reformas e serviços, destruir o que ainda sobrar da democracia.

Não é difícil e tudo isso em troca de lucros incalculáveis dos especuladores, mas também do fascismo financeiro da União Europeia, aquele mesmo fascismo que impôs os Tratados mortais da UE, os mesmos para os quais nenhum cidadão da União alguma vez votou.

Estamos a falar duma arma de triliões de Dólares, 8 vezes o Produto Interno Bruto do Mundo, não sei se é claro.

Perante tudo isso, repito, façam uma pesquisa na internet e tentem encontrar alguma coisa acerca do Grupo dos Trinta. Resultado: pouco ou até nada. Isso é espantoso e realça, mais uma vez, a sofisticação de quem arquitectou este diabólico plano

O Grupo dos Trinta

O que faz este Grupo?
Os Leitores mais antigos já conhecem a resposta, pois o esquema é velho. Mas funciona.

Primeiro: destrói-se a capacidade do Estado para criar e controlar qualquer riqueza financeira significativa (a “superstição ou a histeria da Dívida Pública”, como diz P. Samuelson). Nesta altura, a criação da riqueza financeira continua a ser significativa apenas nas mãos dos mercados de capitais, dos quais os Estados acabam por depender totalmente.

Segundo: os mercados de capital, agora donos e soberanos, encarregam lobbies e tecnocratas para que possam ser criadas leis, ferramentas institucionais e instrumentos de propaganda que permitam optimizar o saque global.

Terceiro: os governos, impedidos de criar qualquer tipo de riqueza, são totalmente dependentes da chantagem dos mercados e de quem estes controla, sendo assim obrigados a engolir ou directamente ignorar as aberrações especulativas, como a existência dos OTC.
Depois disso, os golpes financeiros são quase uma piada.

Agora, voltem até o segundo ponto, aquele da lobbies e dos tecnocratas: é aqui que encontramos, em destaque absoluto, o Grupo dos 30.

Em 1978, Rockefeller (tinha que ser, não é?) ajuda a criar o grupo. Serão 30 membros rotativos, mas sempre 30 indivíduos. E o que está definindo é muito mau desde o início: são quase todos os homens que trabalham com a mão direita na especulação financeira e com a esquerda na regulamentação governamental da mesma. Isso não tem piada nenhuma: um grupo assim deveria ser preso.

Eleni Tsingou, na sua investigação académica acerca do Grupo (em 2003):

Este grupo não apenas legitimou a participação do sector privado nas políticas do Estado, mas também permitiu que os interesses privados se tornassem o centro das decisões político-financeiras. Isto porque muitos dos seus membros são aqueles mesmos políticos que o grupo pretende convencer.

O Grupo dos 30, então, começou o trabalho com cérebros de primeira grandeza e bem recheado de dinheiro. Não faltava nada e os resultados não demoraram. Em 1993, o Grupo publicou o primeiro estudo abrangente sobre os produtos Derivativos: Derivatives: Practices and Principles.

Os controladores das transacções financeiras de América e Europa encontravam-se no meio do nevoeiro mais denso acerca destes produtos, portanto aceitaram o estudo de braços abertos: até que enfim, alguém que explica alguma coisa. Só que a ignorância não permite contrariar as conclusões, e as conclusões do Grupo dos 30 eram essencialmente duas:

  • os derivados OTC são essenciais porque “representam novas formas de compreender, medir e gerir o risco financeiro” (esta é lindíssima: os produtos financeiros mais arriscados alguma vez criados deveriam ter reduzido o risco)
  • e, em segundo lugar: foi salientado que “a chave para o uso de Derivativos é a auto-regulação: as regras estatais intrusivas teriam arruinado a elasticidade do produto e impedido a inovação financeira” (que significa: as leis são feitas por nós, privados, porque vocês, políticos, nem sabem do que estamos a falar. O que era bem verdade)

E para não fazer a figura das bestas ao quadrado, o que fez a maioria dos políticos? Seguiram os principais leader políticos que eram, na melhor das hipóteses, pagos pelas elites financeiras. Verdade seja dita: encontrar material informativo acerca dos Derivativos não era simples na altura.

Mas no estudo citado o Grupo dos 30 também ousou mais e escreveu que os auditores deviam “ajudar a remover a incerteza das normas legais e fornecer um tratamento fiscal [isso é, os impostos, ndt] favorável perante os Derivativos”.
Um trabalho teórico nada mal, preparado e divulgado com o lubrificante gentilmente fornecido pela JPMorgan.

Apesar da audácia dessas linhas, os três principais órgãos de controle (o Comité de Basileia, o Congresso dos EUA e a Federal Reserve) acharam a ideia da auto-regulamentação bem simpática e começaram a remar contra aqueles que lançavam o alarme: veja-se o caso de William K. Black.

Nesta altura, duas das mais poderosas lobbies financeiras anglo-saxónicas, o Institute for International Finance(IIF) de Washington e a Investment Banking Association (IBA) de Londres lançaram na mesa de negociações as suas propostas para a auto-regulamentação dos Derivativos , com o óbvio total apoio do Grupo dos 30. Tanto para ter uma ideia, o IIF é a lobby que algumas semanas atrás deu as ordens na negociação-suicídio da Grécia para o segundo resgate.

O resultado de quanto dito até aqui: a oportunidade de entender e controlar a destrutividade dos Derivativos apresentou-se no início da década dos Noventa. O Grupo dos Trinta foi o principal actor na operação para tornar inútil qualquer tentativa de trazer sob controle público estes assassinos financeiros, cujas consequências bem conhecemos.

Vamos ver alguns dos nomes.
Apenas alguns, é suficiente.
São estas as pessoas que arruinaram a vida de centenas de milhões de famílias, milhões de empresas, das democracias dos principais Países ocidentais, para não mencionar os horrores do Terceiro Mundo e o Ambiente.
Estes senhores (não sozinhos, claro, há outros também) criaram e defenderam um dispositivo termonuclear fora de controle hoje representado por 650.000.000.000.000 de Dólares de Derivativos que pode arrasar o planeta.
Este senhores perpetraram um golpe financeiro único na História.

Paul A. Volcker presidente da Federal Reserve (o banco central dos EUA), mas também homem da Chase Manhattan Bank.
Lord Richardson of Duntisbourne, governador do Banco Central da Inglaterra, mas também homem da Lloyds Bank.
Jacob A. Frenkel, governador do Banco Central de israel, mas também homem da Merrill Lynch International.
Geoffrey Bell, Ministro do Tesouro da Grã-Bretanha, também director da Schroders.
Domingo Cavallo, que foi Ministro da Economia da Argentina, pai do terrível desastre económico no País do Sul América.
Gerald Corrigan, Presidente da Federal Reserve Bank de New York, mas também Managing Director da Goldman Sachs e da Morgan Stanley.
Guillermo de la Dehesa, Governador do Banco Central da Espanha, Ministro das Finanças, mas também banqueiro do Banco Santander Central Hispanico e da Goldman Sachs.
Armínio Fraga Neto, Governador do Banco Central do Brasil, mas pago também pela Solomon Brothers NY e Soros Fund Management.
Toyoo Gyohten, Ministro das Finanças do Japão, mas também executivo do Bank of Tokyo.
Gerd Hausler, governador da Bundesbank (o banco central alemão), mas também no Dresdner Bank.
Mervyn King, governador do Banco da Inglaterra.
Jacques de Larosière Conseiller, governador do Banco Central da França, também executivo-chefe do BNP Paribas.
William McDonough, do Departmento de Estado dos Estados Unidos, pago também pela First National Bank of Chicago. 
Tomasso Padoa-Schioppa, Comissão Europeia, vice-director da Banca d’Italia, BCE, FMI e Bildberg.
Lawrence Summers, Secretário do Tesouro dos EUA, fiel do grupo Bilderberg. 
Jean-Claude Trichet, ex governador do Banco Central Europeu mas também Ministro das Finanças francês e parte do Grupo Bilderberg.
Axel A. Weber, presidente da Bundesbank, mas também membro do Conselho Europeu do Risco Sistémico e Conselho de Estabilidade Financeira e presidente do banco UBS.
Adair Turner, presidente da Autoridade de Serviços Financeiros da Grã-Bretanha, vice-presidente do banco Merrill Lynch Europa. 
Gerd Häusler, que trabalhou no Relatório de Estabilidade Financeira Global, no Fórum de Estabilidade Financeira, Director do Instituto de Finanças Internacionais em Washington e mesmo do grupo de consultoria financeira Lazard.
Mario Draghi, Governador do BCE.
Paul Krugman, economista.

Paul Krugman???
Com certeza, meus senhores: porque o facto duma pessoa saber qual o caminho certo não significa que depois não possa seguir o caminho mau (“façam como eu digo mas não como eu faço…”).

Aqui não se fala de conflitos de interesse bilionários, aqui fala-se dos mestres das finanças globais, dos mais importantes bancos centrais do mundo, de gigantes do sector bancário, de especulação global e dos maiores controladores do mesmo, tudo envolvido numa amálgama obscena.

Este é o Grupo dos Trinta, a lobby que ajudou deforma decisiva a provocar este cenário assustador, esse nível de criminalidade internacional. Trinta indivíduos em rotação, mas apenas trinta.
Coisas reais, tragicamente verdadeiras como verdadeiro são os nomes aqui apresentados.
Por cada um dele seria preciso preencher páginas e páginas.

Há os nomes de quem deveria ter controlado a finança, criado segurança, construído barreiras legais para proteger o resto da sociedade.
Há os nomes de quem elaborou relatórios públicos que diziam “está tudo bem” quando, na mesma altura, cuidava dos próprios interesses nas instituições privadas.

Para ler o todos os nomes dos actuais membros do Grupo dos Trinta e ver as caras deles também é possível aceder ao site do Grupo (pois tem um site, porquê esconder-se?): Group of Thirty.

E nada mais.

Ipse dixit.

FONTE

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Investidor bilionário acredita que saída de Espanha ou Itália levaria Europa a um colapso

AE | 12/05/2012
Soros: Europa errou em tudoO investidor bilionário George Soros disse que a crise na zona do euro colocou a moeda única em risco, mas a região pode sobreviver à saída da Grécia, ainda que deva ser um severo teste de sua resistência. “O euro está seriamente em risco”, falou em entrevista publicada neste sábado no jornal italiano La Repubblica. “As consequências de uma implosão não controlada podem ser desastrosas.”

Mas Soros declarou que a saída da Grécia da zona do euro não seria tão dramática como uma da Espanha ou da Itália. “A discussão é diferente, se a crise abalar a Espanha e a Itália”, observou o bilionário. “Neste caso, sem contramedidas, a Europa entraria em colapso.”

A Itália carrega o peso de uma enorme dívida e enfrenta uma crescente inquietação pública depois de ter elevado os impostos e adotado outras medidas de austeridade, enquanto a Espanha tenta salvar o seu sistema bancário. Soros disse que a Europa falhou na abordagem das causas reais da crise, que ele identifica como o fracasso da parte do sistema bancário em manter o dinheiro circulando e os desequilíbrios comerciais entre os países membros da zona do euro.

“A Europa errou em tudo”, disse. “Está tratando a crise como se fosse um único problema de equilibrar o orçamento.” Soros acrescentou que as medidas de austeridade implementadas pelos governos são contraprodutivas e a prioridade deveria ser o crescimento. “Cortes e impostos matam a economia e a dívida, em vez de cair, aumenta.”

Ele disse ainda que o governo tecnocrata do premiê italiano, Mario Monti, está fazendo um bom trabalho, ganhando a confiança dos mercados e elevando o perfil do país para um nível em que está em posição melhor para negociar com a Alemanha. Monti está tentando convencer a Alemanha de que o jeito de fazer as economias europeias voltarem a crescer é investir em projetos públicos, de acordo com Soros. As informações são da Dow Jones.

FONTE

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Platão e a República – Parte I

De esquerda: Sócrates, Cerezo, Platão
Meus senhores, vamos aqui falar duma das obras imortais da Humanidade.

A Bíblia? Não.
Playboy? Também não.
Vamos falar da República. Mas qual delas? É que há muitas.
Mas a nossa é só uma: a República de Platão.

Pensará o Leitor: "E onde fica esta? Nunca tinha ouvido...".
Não, querido Leitor, a República de Platão é uma das tais obras imortais. E chama-se assim porque foi escrita por Platão.
Platão, este homem que tanto fez pela banda desenhada.

Mas antes de começar, vamos conhecer Platão, filósofo, astrónomo, jornalista, arrumador no parque da Acrópoles nos feriados.

Vida de Platão

Platão nasceu em Atenas de família nobre. Wikipedia afirma que Platão nasceu no 428/427 a.C.
Há por isso duas hipóteses:
  1. ou Platão começou a nascer perto da meia-noite do 31 de Dezembro de 428
  2. ou as fontes históricas não conseguem estabelecer uma data certa.
A escolha, como sempre, é do Leitor.
O pai tinha entre os antepassados o rei Codro enquanto a mãe estava aparentada de Sólon.
Irmãos de Platão eram Adimanto, Glaucão e Potão. Já chamar-se Adimanto ou Glaucão não é o máximo, mas Potão...

Platão recebeu uma educação tradicional e perto dos 20 anos conheceu Sócrates, que mais tarde ingressará na Selecção do Brasil. Mas na altura era ainda filósofo e Platão ficou como seguidor dele até 399 a.C. Depois deixou de segui-lo. Porquê? Porque Sócrates tinha morrido.

Em 404 Atenas perdeu a guerra contra Esparta e elegeu um governo oligárquico muito próximo dos rivais vencedores, o governo dos Trinta Tiranos. Nada a ver com o actual Grupo dos Trinta que é um remake.
Dos Trinta fazia parte o tio de Platão, Crízia, que convidou o sobrinho para participar na vida política da cidade.

Platão, todavia, ficou desiludido pela política do governo, bastante violenta e despótica.
Em 403 o governo foi derrotado e foi restaurada a democracia. E Platão ficou desiludido pela democracia também.

Pelo que, Platão pensou bem mudar de ar e refugiar-se em Megara, onde morava o amigo Euclides, outro discípulo de Sócrates (que entretanto continuava a estar morto). Depois começou um tour, uma série de viagens com as quais visitou:
  • Cirene, onde conheceu o matemático Teodoro
  • Creta
  • Egipto
  • Siracusa, na Sicília, onde encontrou o tirano Dionísio.
  • Taranto, sempre Italia, onde encontrou Arquita da escola pitagórica.
Com Dionísio as coisas não correram tão bem, pois Platão foi vendido como escravo.
Uma vez ré-adquirida a liberdade, Platão voltou a Atenas e comprou um belo jardim onde fundou a Academia. Esta escolha foi importante, porque ao longo de 20 anos Platão ensinou e recebeu pessoas ilustres como Eucnosso de Cnido (e quem é este?) ou o médico Filistão de Locri (boh?...).

Para acabar: em 361 Dionísio o Jovem pediu para que Platão voltasse em Siracusa, pois Dionísio o Velho tinha morrido. Assim Platão voltou para a Sicilia e ficou preso outra vez, pois entre Platão e os Dionísios as coisas não corriam bem, não havia nada a fazer.

Em 361 Platão voltou para Atenas e em 348 decidiu morrer.

Como curiosidade: Platão não era o verdadeiro nome dele, mas apenas uma alcunha. O verdadeiro nome poderia ter sido Aristocles. Eu acho ter sido Zé Nuno. Mas os estudiosos preferem Aristocles como hipótese mais provável, embora não perceba porquê.

As ideias de Platão

Complicado resumir as ideias de Platão. De facto, teve demasiadas ideias. Mas eu gosto de Platão (o meu ídolo é Plotino, um neo-platónico), por isso eis os pontos principais. Aliás: "o" ponto principal.

A base do pensamento de Platão é a Teoria das Ideias.
Segundo ele, existem realidades materiais (que mudam) e não materiais (que não mudam).

Isso é simples, pois as coisas que mudam são as coisas de todos os dias: uma mesa, uma cadeira, um carro. Hoje existem, amanhã estragam-se. E estas coisas são apenas cópias das Ideias, as coisas que não mudam.

As Ideias são como uma espécie de modelos (arquétipo) e como tais são eternas. A ideia de "cadeira" é eterna, enquanto a cadeira real deteriora-se com o tempo (obviamente não existe a Ideia Cadeira: existirá a Ideia de Comodidade, sendo a cadeira uma tentativa de alcança-la).

Mais: segundo Platão, estas Ideias não existem apenas na nossa mente, mas existem do ponto de vista físico. Só que não podemos vê-las, pois moram numa região chamada Hiperuranio. Mas, mesmo assim, as Ideias conseguem influenciar o nosso mundo.

Por exemplo: Platão acha que as Ideias não são arrumadas de forma caótica no Hiperuranio, mas segundo uma hierarquia. Assim, no topo da hierarquia há a Ideia do Bem, a Ideia Suprema, da qual todas as outras Ideias recebem a luz. Uma espécie de central eléctrica.

Será a Ideia do Bem uma espécie de Deus? Talvez, mas Platão não esclarece este ponto. Mau, poderia ter esclarecido.

Então: o Homem não tem possibilidade de ver as Ideias? Na verdade sim, a possibilidade existe. Só que é preciso morrer. O que, dito entre nós, é um bocado incómodo.
Segundo Platão, quando o homem morrer, a alma dele vive e consegue espreitar as Ideias através duma cortina que separa o nosso mundo do Hiperuranio. Quando a alma voltar no corpo (não sempre o mesmo corpo, que nesta altura já estará podre, outro, com a reencarnação), esquece a visão das Ideias pois confunde a realidade com o mundo sensível.

Então, o que podemos fazer, é tentar lembrar o mundo das Ideias com o "dar" e o "receber" do discurso, falando com a alma. E falar com a alma significa conhecer-se melhor (eis a influência de Sócrates).

Mas porque o diálogo com a alma (isso é, com nós próprios)?
Simples: porque a alma já viu as Ideias, conhece as Ideias, só que não se lembra. Falar com a alma, conhecer-se melhor, significa lembrar as Ideias que foram observadas antes da reencarnação.

Isso tem uma importante consequência: se as Ideias estão presentes nas almas (só não estão a ser lembradas), e como as Ideias afinal são a parte mais importante da realidade não material (da qual o nosso mundo é apenas uma cópia), isso significa que todo o conhecimento já está aqui, apenas está escondido no esquecimento da alma.

Também aqui o conceito não é difícil: pegamos na Ideia do Bem, por exemplo.
Os homens não precisam de procurar o significado do Bem, este já está presente dentro de cada um de nós. É só olhar para o nosso interior e encontrar o sentido de Bem. Com a alma, afirma Platão, e não com os sentidos é possível entender o aspecto verdadeiro da realidade.

Obviamente é impossível para qualquer homem lembrar de todas as Ideias. Só os Deuses podem fazer isso, pois vivem na mesma região das Ideias. E aqui temos de realçar como Platão fale de "Deuses"
e não de apenas um Deus (por isso prefiro Plotino, que gosta de menor confusão e fala só de um Deus).

Platão, todavia, cria uma armadilha na qual acaba de cair. se as Ideias forem sempre iguais a si mesmas, imóveis, não mutáveis, como é possível explicar as mudanças? Porque no mundo há mudanças. Afinal o mundo de Platão será uma seca monstruosa, sempre igual.

Na altura em que escreve a República (da qual falaremos de seguida), Platão muda um pouco de rumo e introduz o conceito de "causa final". Isso é: as Ideias são o objectivo final de todas as mudanças, pois as coisas mudam na tentativa de ficar mais parecidas com as Ideias. É claramente uma tentativa para justificar a mudança da realidade.

E nem assim fica satisfeito: mais tarde cria a figura do Demiurgo, uma espécie de divindade que gera a Alma do Mundo, que representa a mudança das coisas na tentativa de aproximar-se das Ideias.
Mah, este Demiurgo parece mesmo uma solução de recurso...

Mesmo assim é um passo fundamental, porque o Demiurgo, Alma do Mundo e Ideia do Bem formam uma Tríade que mais tarde será a felicidade do Cristianismo pois faz lembrar a Santíssima Trindade. Alguns até consideram Platão como um pré-cristão, o que me parece uma enorme bestialidade.

Há mais na filosofia de Platão? Há muuuuito mais. Só que a tratar de tudo ficamos velhos. Lembrei das Ideias só porque, como afirmado, constituem a base da filosofia de Platão: afinal, são conceitos que influenciaram séculos de pensamentos humanos.

Mas agora é tempo de ler a República. Não o diário italiano, digo o livro de Platão.
Agora? Não. Na segunda parte.


Ipse dixit.

Líder da Syriza ameaça deixar de pagar aos credores da Grécia – A saída da Grécia do euro significaria o fim da moeda única

Tsipras poderá ser primeiro-ministro

18/05/2012 | 12:52 | Dinheiro Vivo

Uma potencial saída da Grécia iria fazer colapsar a zona euro, pelo que a Europa não deverá deixar de conceder financiamento ao país. A tese é defendida pelo líder da coligação de esquerda radical Syriza, em entrevista ao Wall Street Journal.

“A nossa primeira escolha é a de convencer os nossos parceiros europeus que é do seu interesse não terminar o financiamento”, explicou Alexis Tsipras. Pela sua parte, a Grécia não irá tomar ações unilaterais, como sair voluntariamente da união monetária, “contudo se eles [UE] tomarem ações unilaterais, por outras palavras que cortem o financiamento, então seremos forçados a deixar de pagar aos nossos credores, suspendendo os pagamentos”.

No caso de a Grécia se vir forçada a abandonar a moeda única, Tsipras não rejeita que a situação se torne difícil para o país, mas entende que a Europa também enfrentará problemas.

“Façamos o que fizermos, as coisas vão ser difíceis. Mas também vão ser difíceis para a Europa porque o euro vai acabar”, sublinhou.

Apesar de tudo, Tsipras não quer que a Grécia abandone o euro, situação “que iria trazer múltiplas consequências negativas”. “A nossa moeda nacional é o euro portanto é complicado cortar esse laço”, sustentou o político.

A Syriza é apontada por várias sondagens como o provável vencedor nas eleições legislativas gregas de 17 de junho.

 A saída da Grécia do euro significaria o fim da moeda única, acredita Tsipras

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Fitch corta rating de cinco bancos gregos

Nota atirada para nível extremamente especulativo, a um passo do «lixo», em linha com o rating do país

18/05/12

A Fitch cortou esta sexta-feira o rating de cinco bancos gregos para o nível extremamente especulativo, a um passo do «lixo».

Os visados são o Banco Nacional da Grécia, Eurobank Ergasias, Alpha Bank, Piraeus Bank e o Banco Agrícola da Grécia.

Agora no nível CCC, este bancos estão no mesmo patamar que o rating do país.

A agência de notação justifica porquê: por causa do aumento do risco de que a Grécia pode não ser capaz de sustentar os seus membros na União Económica e Monetária (UEM), cita a Reuters.

Foi ontem que a Fitch atirou a nota da dívida soberana da Grécia para o mesmo «lixo extremamente especulativo». A avaliação caiu dois níveis, de B- para CCC, com a agência de notação financeira a admitir que o país pode sair do euro depois das eleições de 17 de junho.

Se isso vier a acontecer, a Fitch alerta para o cenário de retirada de apoio internacional aos bancos gregos. A saída de Grego provavelmente resultaria num incumprimento generalizado no sector privado, bem da dívida soberana em euros.

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O que acontece se a Grécia abandonar o euro?

18/05/2012
Possíveis consequências dividem opiniões e, no pior cenário, vão desde recessão generalizada até a dissolução do euro

A crise em Lego

Se a Grécia deixar o euro, dúvidas recaem sobre Espanha, Portugal e Itália

São Paulo – A possível saída da Grécia da zona do euro é cercada de incertezas, mas perece ser cada vez mais iminente. Sem consenso para a formação de um novo governo após as eleições parlamentares, o clima é de apreensão. O Citi já elevou o risco de abandono da moeda pelos gregos para até 75%.

Veja, a seguir, algumas consequências possíveis, caso o país diga adeus à eurozona:

Calote (ou não)

A grande dúvida que cerca a saída da Grécia da zona do euro é: como ficam os credores externos do país?  “Em caso de um calote, os bancos ficariam em situação delicadíssima. Seria um desastre financeiro nunca antes visto”, opina Manuel Enríquez Garcia, professor de economia da Faculdade de Economia, Administração e Contabilidade (FEA) da Universidade de São Paulo (USP).

O professor acredita, no entanto, que o Banco Central Europeu e os governos da França e da Alemanha não deixariam isso acontecer, já que o “efeito dominó” poderia fazer com que a crise se alastrasse e tomasse proporções desastrosas.

Isso significaria que ambos os países, que já carregam nas costas os custos mais pesados da manutenção do bloco, teriam que tirar mais uma vez a mão do bolso para salvar seus bancos e evitar um colapso geral do sistema financeiro.

Efeitos colaterais

Mesmo que os governos dos países mais “saudáveis” do bloco venham ao socorro dos credores da Grécia, os investidores se afastarão dos países mais “arriscados”, como Espanha, Portugal, Itália e Irlanda, buscando portos mais seguros para o seu dinheiro. O custo de empréstimo para estes países ficará ainda mais alto, o que causará ainda mais problemas para cada um deles, individualmente, e para o bloco.

“A incerteza já está levando muitos a tirar o dinheiro e ir embora”, diz Garcia. “O grande problema é que vai ficar a expectativa de quem vai ser o próximo”, opina Carlos Honorato Teixeira, professor do Programa de Estudos do Futuro da Fundação Instituto de Administração (FIA).

 

Para a economia grega, os efeitos imediatos serão drásticos, embora especialistas concordem que, no longo prazo, a medida permitiria a recuperação do país.

O primeiro efeito será a volta do dracma ou a adoção de uma nova moeda que, de cara, deverá valer entre 50% a 80% a menos que o euro, na avaliação de analistas.

Corralito

A consequência imediata será uma corrida aos bancos para a retirada em euros antes que a nova moeda comece a vigorar. Para evitar o colapso do sistema bancário, o governo poderá recorrer ao “corralito”, medida estabelecida pela Argentina quando deu o calote. Para evitar as retiradas em massa, o governo congelou os fundos dos poupadores e estabeleceu limites semanais para a retirada de fundos.

Quebradeira

Mesmo que o governo intervenha, é possível que alguns bancos não tenham fôlego para sobreviver. Empresas com dívidas em euro provavelmente não conseguirão pagar seus credores – já que o débito aumentará consideravelmente de tamanho em relação ao valor da nova moeda – e quebrarão também.

Inflação galopante

inflação galopante é outro efeito esperado dentro da economia grega. “O governo terá que agir rápido para colocar moeda no mercado, mas vai jogar dinheiro sem lastro”, explica Teixeira.

Com excesso de dinheiro em circulação e escassez de oferta, os preços começam a subir. Com a desvalorização da moeda, os preços de produtos importados também devem disparar, o que é um problema grave já que a Grécia importa 40% dos alimentos que consome, quase todo o seu petróleo e gás natural, e grande parte dos seus medicamentos.

Ativos desvalorizados

Outra consequência será a desvalorização dos ativos gregos, já que haverá uma corrida de liquidação dos investimentos no país. “Vai ser possível comprar ilha grega a preço de banana”, brinca Teixeira.

Sem dinheiro nos cofres do governo para pagar os salários de servidores e aposentados, entre outros benefícios sociais, a população que já enfrenta taxa de desemprego de mais de 21% e agravamento da pobreza deve ficar em situação ainda mais crítica.

A volta por cima da Grécia

Se, por um lado, a saída do euro significaria o colapso econômico e social da Grécia, em um primeiro momento, por outro pavimentaria o caminho para a volta por cima do país. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), o PIB encolheria pelo menos 10% no primeiro ano. O UBS é ainda mais agressivo em sua previsão: a economia grega poderia encolher entre 40% e 50% logo após a saída do euro. Mas depois da tempestade, viria a calmaria. Com liberdade monetária e sem o peso das medidas de austeridade impostas pelo bloco, o país ganharia folego para se reestruturar e voltar a crescer no futuro.

O fim do euro?

Não há consenso entre os analistas quanto ao futuro do euro sem os gregos. Enquanto alguns apostam que a saída da Grécia tornaria a moeda mais saudável, outros acreditam que ela não se sustentaria. Para Paul Krugman, economista e colunista do New York Times, o euro poderia se dissolver em questão de meses.

Já para o economista Nouriel Roubini - conhecido por ter previsto a crise financeira de quatro anos atrás – a Grécia não levará consigo países como Portugal, Espanha e Itália. ”Economias sem liquidez, mas potencialmente solventes, como Itália e Espanha, necessitarão do apoio da Europa independentemente da existência da Grécia”, afirma. As perdas para o continente recairão, segundo Roubini, principalmente sobre instituições financeiras centrais da zona do euro, que teriam fôlego para superá-las.

A rebarba para o Brasil

No pior dos cenários, se a Grécia der o calote e a crise se alastrar ainda mais, os “respingos” podem recair sobre o Brasil. “A bolsa brasileira vem caindo de uma forma muito forte, como todas as outras no mundo, porque não se sabe os efeitos do que pode ocorrer na Grécia sobre o animo das pessoas”, destaca Garcia. “Cria-se um clima de extremo pessimismo e, quem tem dinheiro, fica com medo de não ter no momento seguinte. Acaba espalhando o clima de pessimismo e gera uma retração”, explica.

FONTE-EXAME

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