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O Banco Mundial – Parte II: o BIS

A sede do BIS
No dia 23 de Dezembro de 2010, no blog tinha sido publicado um artigo com o título: O Banco Mundial - Parte I, que assim fechava: "Acaba aqui a  primeira parte do artigo. Em breve a segunda".

"Em breve" significa hoje, dois anos depois.
Sim, ok, sou pessoa um pouco distraída, problemas com isso? Olha só, nunca satisfeitos...

Bom, dizia: a primeira parte do artigo analisava o percurso histórico do Banco, enquanto hoje vamos ver as coisas do outro ponto de vista.
A razão é um artigo do Wall Street Journal, que bem conhece os bastidores da finança e que de certeza não pode ser considerado como um diário "conspirador".

Conta o Wall Street Journal:
A cada dois meses, mais de uma dúzia de banqueiros se encontram aqui, no domingo à noite, para conversar e jantar no 18 º andar de um edifício cilíndrico, com vista para o Reno [reuniões em Basileia, na Suíça, ndt].

As discussões durante o jantar, sobre o dinheiro e a economia, são mais do que académicas. Na mesa há os chefes dos principais bancos centrais de todo o mundo, representando os países que produzem anualmente mais de 51 triliões de dólares de produto interno bruto, três quartos da produção económica mundial.

Mister King, do Banco da Inglaterra, lidera as discussões durante o jantar numa sala decorada pelo estúdio de arquitectos suíço Herzog & de Meuron, que projetou o estádio "Ninho de Pássaro" para a Olimpíada de Pequim. Os homens têm assentos reservados numa mesa redonda, numa sala perfumada com orquídeas brancas e emoldurada por paredes brancas, tecto preto e vista panorâmica.

Argumentos sérios alternam-se com aperitivos, vinho e conversa, de acordo com pessoas que estão familiarizadas com esses jantares. Mr.King geralmente pede aos seus colegas para falar sobre as perspectivas nos países deles. Outros fazem perguntas. As reuniões não produzem transcrições ou relatórios. Nenhum membro do pessoal de serviço é admitido. 
De facto, nenhuma das pessoas está ai para socializar, as razões são outras. Falamos duma organização internacional imensamente poderosa, acerca da qual a maioria das pessoas pouco ou até nada sabe. São eles, os presidentes dos maiores bancos centrais mundiais, que controlam o fluxo do dinheiro. De todo o dinheiro.

É este o Banco Mundial? Não, este é o Banco de Compensações Internacionais (BIS, do inglês Bank for International Settlements), o Banco Mundial dos Bancos Centrais. Pois os senhores sentados com vista sobre o rio Reno (mas têm filiais em Hong Kong e na Cidade do México) são os presidentes dos 60 bancos centrais mais importantes do planeta (inclusive Portugal, Brasil, China, Estados Unidos, França, Italia, israel, Alemanha, Índia, Reino Unido, Rússia, Banco Central Europeu....).

Os Países membros do BIS
Quando comparado com o Banco Mundial "normal", o BIS apresenta algumas diferenças:
  • O BSI é uma sociedade de capital privado, com sede legal em Basileia (Suíça). O Bancos dos Bancos Centrais é uma sociedade privada??? Claro que sim: se os Bancos Centrais nacionais (a maioria deles) forem privados (algo repetido até a exaustão neste blog), porque carga d'agua a principal organização deles deveria ser pública?
  • O elenco dos accionistas não é público: sabe-se apenas que entre os donos da sociedade aprecem os Bancos Centrais da Bélgica, da França, da Alemanha, do Reino Unido, da Italia e dos Estados Unidos.
  • O capital social é constituído por 3 biliões de Dólares, composto por 600.000 acções sem direito de voto, transferíveis apenas após autorização do instituto. As acções conferem participação aos úteis.
  • O Conselho Directivo decide por maioria, mesmo sem unanimidade.
  • O BIS não emite moeda nem empresta dinheiro.
  • O BIS e os dependentes deles gozam de imunidade de jurisdição, tal como os bens da organização.
  • O BIS tem total isenção de impostos.
  • E, obviamente, o BIS não responde a nada ou a ninguém.  
É esta uma das sociedade cujas decisões afectam a vida de todas as outras no planeta. E os membros não são eleitos, são simplesmente escolhidos e participam em reuniões secretas das quais ninguém sabe nada.

Mas por conta de quem trabalha o BIS? Ora bem, nesta altura é possível libertar as rédeas da fantasia, cada um está livre de escolher os nomes dos verdadeiros donos. O que interessa aqui são as decisões que a instituição toma.

Fundado em 1929, durante a Segunda Guerra Mundial o BIS reciclava o dinheiro e o ouro dos nazistas; depois, uma vez acabado o conflito, por muitos anos manteve um perfil baixo, operando nos bastidores.

Foi aqui que foram tomadas importantes decisões, como desvalorizar ou defender moedas, fixar o preço do ouro, regular as operações bancárias offshore, aumentar ou diminuir as taxas de juros no curto prazo.
Em 1977, contudo, o BIS abandonou o anonimato em troca duma sede e dum papel ainda mais eficiente. O novo edifício é um arranha-céu circular de 18 andares com uma longa história, que se eleva acima da cidade medieval. Logo tornou-se conhecido como a "Torre de Basileia".

Os tempos tinham mudados, o BIS estava nas condições de ganhar notoriedade (uma relativa notoriedade), reclamar a própria total independência e até constituir uma sua própria força policial privada.

É na sede do BIS que tem lugar o fórum Global Economy Meeting (GEM): a maioria das pessoas nunca ouviu falar do GEM, mas ao longo dos últimos anos este fórum já recebeu 31 governadores dos bancos centrais como membros permanentes, além de uma série de outros governadores presentes em rotação. É, de facto, o grupo mais importante para a gestão global entre os bancos centrais.

Mas voltemos ao BIS: o que faz em concreto esta organização?

Um artigo publicado em InvestorsInsight explica como o BIS alcança a "estabilidade monetária e financeira":
Escritórios do BIS na Suíça
Isto é conseguido através do controlo da moeda. Actualmente, detém 7% dos fundos de câmbio disponíveis no mundo, cuja unidade de conta foi convertida em Março de 2003 do Franco Suíço para os Direitos Especiais de Levantamento, um "dinheiro" fiat artificiais, com um valor baseado num conjunto de moedas (44% de Dólares dos EUA, 34% de Euros, 11% de Yen japonês, 11% de Libra Esterlina).
O banco também controla uma grande quantidade de ouro, que guarda e empresta utilizando o grande poder de alavancagem no preço do ouro, sendo o ouro ainda a única moeda universal. As reservas de ouro do BIS foram avaliadas no relatório anual de 2005 em 712 toneladas. Como esta quantia esteja repartida entre depósitos dos bancos membros e reservas do BIS não é conhecido.
Ao controlar os câmbios da moedas e o ouro, o BIS pode fazer muito para determinar as condições económicas dum determinado país. Lembrem-se disso da próxima vez que a Federal Reserve ou o presidente do Banco Central Europeu anunciarem um aumento nas taxas de juros. Podem apostar que não aconteceu sem o "conselho" do BIS.

Ainda dúvidas acerca do poder dos bancos centrais e da organização deles, o BIS?
CNBC:
"Quando termos em conta todos os bancos centrais do mundo, chega-se a mais de 9.000 mil milhões de dólares", afirma Marc Doss, gestor regional de investimentos da Wells Fargo Private Bank, "É como criar a segunda maior economia do mundo a partir do nada".
Na verdade, a dos bancos centrais tornou-se uma economia em si mesmo, um império de vários bilhões de dólares que massaja e manipula os mercados.
Portanto, é um esquema piramidal, no base do qual encontramos os Estados (nós) que precisam de dinheiro; no nível acima, os bancos privados; acima, os bancos centrais; mais acima ainda, o BIS.
Para que a coisa fique ainda mais clara: nós, acima os bancos privados, mais acima os bancos privados controlados por privados, mais acima ainda o BIS, o banco dos bancos centrais, privado também.

O futuro?
O futuro já começou: em Março de 2003, como lembrado, o BIS abandonou o Franco Suíço para adoptar uma nova unidade de conta, o Direito Especial de Levantamento, um "dinheiro" artificial baseado em outras moedas. Segundo alguns, o precursor do dinheiro global.

Assim: o Banco Mundial é importante? Sim, até conhecer o BIS...

(Nota final: fica um pouco mais claro, agora, como é que os "grandes inimigos" da Humanidade são aqueles Países com um banco central realmente independente? Iraque, Irão, Líbia, Venezuela...)


Ipse dixit.

Fontes: Wall Street Journal, InvestorsInsight, CNBC, Wikipedia (versão inglesa), Bank for International Settlements
Imagens: Wikipedia

A Economia Planetária Única

Nota prévia
Antes de publicar o seguinte artigo, fui tentar avaliar o grau de veridicidade do mesmo, inclusive a existência do estudo citado e das pessoas alegadamente envolvidas. O estudo existe, estando disponível para o download numa página internet da União Europeia, tal como existem as pessoas e as instituições citadas. Ver links abaixo.

Um grupo de estudo, financiado pela UE e chamado The One Network Economy Planet (OPEN-UE), desenvolveu em 2011 um documento totalmente ignorado pelos meios de comunicação. Isto até agora.

O documento, Scenarios for a One Planet Economy in Europe (Cenários para uma Economia Planetária Única na Europa), contém diferentes cenários ou "caminhos" que a União Europeia deve seguir para chegar até uma chamada "Economia Planetária Única".

Financiado com recursos do Sétimo Programa-Quadro de Investigação e Desenvolvimento da União Europeia e do WWF, o documento segue os cenários que podemos também encontrar na conhecida Agenda 21.

No documento, embutido de termos como "sustentabilidade" e "matriz ecológica", os autores descrevem quatro caminhos distintos que levam até o Santo Graal, a assim definida Economia Planetária Única. A mesma coisa pode ser encontrada no começo do mesmo estudo.

É afirmado no princípio:
Há quatro histórias que oferecem visões alternativas, não necessariamente ideais, na transição para a Economia Planetária Única na Europa, em 2050; cenários que apresentam tanto uma descrição da vida na Europa em 2050 quanto da organização política necessária para apoiar a transição até este ponto final e comum, com base em pressupostos diferentes do futuro.
Esta é a lista das quatro "histórias":
  1. Capacidade e atenção
  2. Avanço Rápido
  3. Ponto de rotura
  4. Em câmara lenta

Eis uns excertos retirados do segunda "história", Avanço Rápido:
A União Europeia deve tomar medidas drásticas para reduzir o crescimento da população tanto na Europa quanto, principalmente, no resto do mundo, para impedir o crescimento da procura (numa altura em que a inovação tecnológica é estagnante e os recursos naturais - combustíveis fósseis e terras cultiváveis - são poucos) signifique um aumento dos preços. Em alguns países europeus, a expectativa de vida é estável, em outros é reduzida.
Importante realçar pelo menos os seguintes pontos:
a) a admissão implícita da escassez dos recursos naturais, com consequências facilmente imagináveis (como, por exemplo, a teoria do crescimento infinito).
b) redução da esperança de vida em alguns Países europeus (mas não apenas no Velho Continete, como será possível observar a seguir).
Como início não é mal.

Continuemos com o paragrafo "Demografia":
No início de 2012, uma das medidas para o controle da população era a redução gradual - até anula-los - dos abonos de família para as famílias numerosas. Em 2020, estes abonos são reconhecidos somente até o segundo filho. Considerando que, em geral, a economia está baseada no trabalho intensivo, as politicas de imigração já foram relaxadas para atrair mão de obra qualificada, especialmente na agricultura. Isso aumenta a tensão social na Europa. Para implementar o controle da população, os acordos comerciais bilaterais precisam de parceiros.
Isso para quem ainda tiver dúvidas acerca do carácter instrumental das medidas de austeridade recentemente adoptadas em alguns Países europeus. Interessante também a parte dedicada aso "novos escravos": mão de obra qualificada, destinada aos trabalhos mais duros ("trabalho intensivo" é a expressão mais elegante utilizada neste caso).

Embora o documento apresente os seus modelos sob o termo intencionalmente vago de "cenários", a dúvida é: será que as medidas descritas estão já aprovadas? E activas?
Num "documento de trabalho" do Banco Mundial, em 2007, fica claro o papel do Banco nestes planos:
O Banco está numa posição de forte vantagem potencial para lidar com estas questões ao mais alto nível político em vários países, não só ao nível dos Ministros da Saúde, mas também das Finanças e do Desenvolvimento. Este é um ponto importante, dado o crescente reconhecimento da economia política como dum papel crucial na implementação de programas de saúde relacionados à reprodução humana, especialmente em países com altas taxas de natalidade.
O documento aponta duas nações actualmente já colocadas sob o controle populacional por parte do Banco Mundial.
Primeiro exemplo: o Níger. O Banco Mundial já estabeleceu as chamadas "linhas vermelhas" que o país deve cumprir para continuar a poder beneficiar da ajuda do Banco. No caso do Níger, que o IMP classifica como "país pobre, com uma alta taxa de dívida" e, portanto, fácil de dominar, o documento afirma:
O crescimento populacional está documentado e está planeado um ESW - Economic Sector Work - Estudo de sector. Uma estratégia nacional da população e da saúde reprodutiva não é apenas um limite da Estratégia de Ajuda ao País (CAS, Country Assistance Strategy), mas também uma fonte de empréstimos económicos, enquanto a saúde reprodutiva é parte das chamadas "linhas vermelhas" da CAS.[...]
A elevada fertilidade e o rápido crescimento da população não são apenas considerados como problemas graves, mas a fertilidade é também utilizada como um parâmetro de desempenho CAS. Além disso, foi planeado e executado um ESW sobre a população. Este ESW foi determinante na promoção do debate interno sobre as questões demográficas, e levou a uma operação independente da IDA (Associação Internacional de Desenvolvimento), actualmente em fase de preparação, a primeira - depois de muitos anos - operação específica sobre a população na Região Africana do Banco Mundial. A preparação da Estratégia Nacional de População e Saúde Reprodutiva também é uma "linha vermelha" da CAS e uma fonte de empréstimos, enquanto a Saúde Reprodutiva era um dos pilares das linhas vermelhas da CAS.
Descodificando a linguagem técnica, é claro que o Banco Mundial utiliza os programas de assistência para determinar a política interna dos Países no âmbito do controle populacional. Os empréstimos parecem mesmo dependentes do cumprimento dos requisitos em matéria de reprodução.
Isso, lembramos, por parte duma instituição (o Banco Mundial) que nada deveria ter a ver com tais assuntos (a ONU ainda existe?).

Voltemos ao documento europeu:
Em 2050 os europeus serão forçados a adoptar estilos de vida ambientalmente amigáveis ??- por exemplo, a proibição de viagens individuais de longa distância não-essenciais. Nesse ponto, as viagens aéreas seriam muito caras para a maioria das pessoas. O estado passaria a controlar e influenciar todos os canais de informação, educação e marketing para espalhar esta mensagem, de modo a garantir o seu sucesso e a aplicação e mudar a percepção comum de sustentabilidade.
A palavra de ordem é "ambiente". Para adoptar medidas draconianas, é preciso que estas sejam entendidas como indispensáveis por parte dos cidadãos. E nada é mais indispensável do que a salvaguarda do ambiente.
Seremos sepultados por uma vaga verde? assim parece.
Mais:
A maioria dos europeus vive em áreas metropolitanas densamente povoadas, áreas residenciais compactas e altamente eficientes. As unidades de habitação consistem de duas ou três pessoas. As áreas residenciais são essenciais, energeticamente eficientes, controladas por sensores inteligentes que permitem que o Estado regulamente o uso das infra-estruturas da energia, monitorizar o consumo, a carga, e, se necessário, cortar o fornecimento de energia eléctrica.
O Leitor não gosta deste modelo? Não há crise, pode sempre suicidar-se. Obviamente com o apoio do Estado:
Em 2015, nos países europeus, o suicídio voluntário ou assistido vai tornar-se legal.
Como chegámos até este ponto?
Com acordos, encontros, ecologia, politica. Com a Agenda 21 de Rio de Janeiro e outras reuniões para tornar a Terra um lugar "melhor" e o homem "amigo do ambiente". Custa afirmar estas coisas, sobretudo quando a maior parte das pessoas têm uma autêntica (e justificada) sensibilidade "verde". Mas em caso de dúvidas pode ajudar lembrar as palavras do actual Comissário Europeu para o Ambiente, Janez Poto?nik:
Vinte anos atrás concordamos com o que fazer, agora temos as ferramentas para fazê-lo. Se não alcançarmos o centro das políticas económicas, vamos ter um dia um Rio +40, com um maior sentido de culpa. Os mercados são construções sociais. Não são uma força como a gravidade. Podem ser governados.
No documento aparecem também hipóteses de fortes medidas para controlar o crescimento populacional, fortes restrições no comércio, uma politica (comunitária) para a importação dos carburantes; isso ao lado de medidas bem mais positivas como a proibição da importação de comida OGM ou a limitação do comércio com os Países que apresentam uma produção com forte impacto ambiental.

É claro que numa sociedade numericamente controlada, os mercados terão que adaptar-se, escolhendo novos rumos (o tal "trabalho intensivo"): todavia esta vertente fica em boa parte "nos bastidores", não explicita. O resultado é que o documento consegue transmitir a ideia de que os culpados são os números: não aqueles dos balanços das empresas e da corrida desenfreada para a exploração irresponsável dos recursos, mas os números dos seres humanos, verdadeira praga do planeta. E que estes culpados estão na base duma mudança que não pode ser adiada.

Superpopulação, esgotamento dos recursos, poluição são problemas reais. Mas a solução aqui proposta não passa por uma discussão: é simplesmente a apresentação dum novo modelo de sociedade, baseada nas regras impostas por uma oligarquia de matriz exclusivamente político-económica. O papel dos cidadãos é possível (após aceitação dos princípios "ambientalistas", óbvio), mas nunca como factor de decisão ou até de debate: o rumo está traçado, é só seguir.

E tudo faz parte dum projecto de maior alcance. Não acaso, o título do documento é "Cenários para uma Economia Planetária Única na Europa": contém as medidas que devem ser adoptadas no Velho Continente, sem dúvida, mas no âmbito duma "economia planetária única".

Estes não são políticos ou ambientalistas, são simplesmente criminais com gravata.


Ipse dixit.

Fontes: ET2050 Territorial Scenarios e Visions for Europe (apresentação do documento, em inglês), Ecologic (informações técnicas acerca do estudo, em inglês), Scenarios for a One Planet Economy in Europe (documento oficial, ficheiro Pdf, em inglês), ExplosiveReports, Population Issues in the 21st Century (ficheiro Pdf, em inglês)

As duas Cristinas

Hoje vamos contar uma história.

Depois de ter tomado o poder há poucos meses, receberam a delegação do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional, liderado por Dominique Strauss Kahn.

Ao sair da reunião, os Kirchner estavam pálidos. Sobretudo ele, Nestor, tinha percebido como as coisas funcionavam:
Eu só sei que não entendi nada do que eles disseram, absolutamente nada, mas uma coisa, isso sim, eu entendi: eles ficam com a República da Argentina, toda, incluindo os glaciares do sul. Estamos realmente na merda.
A esposa dele, Cristina, falou com alguns conselheiros íntimos e fiéis, alguns dos quais admitiram mesmo terem ficado convencidos de que a implementação do plano do Banco Mundial e do FMI afinal era uma boa coisa.

O plano era simples: para recuperar da situação catastrófica eram precisas estratégias neo-liberais de grande austeridade e rigor, apertando a despesa pública, controlar ao máximo a inflação, convencer a fazer o mesmo os bolivianos, os chilenos e os uruguaios, com os quais, de seguida e com a bênção das instituições, ter uma nova moeda única, com a emissão de Títulos no caso garantidos pelo Banco Central Europeu, que teria adiantado o dinheiro também.

Os argentinos entenderam não ter a cultura técnica específica para responder adequadamente. Nestor Kirchner ficou furioso, tinha a impressão de estar encurralado, admitiu não entender nada mas, ao mesmo tempo, percebia que o plano não teria trazido nada de bom para os argentinos. A mulher, Cristina, pediu tempo ao marido e começou uma viagem internacional.

Encontra Joseph Stieglitz, mas nada acontece.
Depois encontra Paul Krugman, que explica estar no comando do sector económico da campanha eleitoral de Obama, por isso não pode tratar do assunto. Mas recomenda Christina Rohmer, uma das suas alunas, entretanto tornada Professora de Economia Aplicada na Universidade de Berkley, Califórnia.
Cristina liga a outra Cristina, as duas gostam uma da outra. Além disso, a Rohmer tornou-se também bilíngue e fala espanhol. Cristina (a argentina) voa para São Francisco e fica por dez dias com Christina (a americana).

Cristina volta em Buenos Aires e comunica o resultado ao marido, o qual, todavia, odeia os americanos que 15 anos antes tinham apoiado a ditadura. Mas aceita a sugestão, apesar do partido dele estar contra.

Um mês depois chega Christina Rohmer com 12 conselheiros pessoais, muito jovens, todos bilíngues. Só um era economista, todos os outros eram especialistas em direito internacional, direito financeiro, direitos legais. Fecham-se num escritório por quinze dias, juntamente com os assessores do governo argentino, estudam todas as propostas do Banco Mundial e FMI.

Um mês depois é convocada a reunião com os representantes destas instituições: os consultores da Rohmer (apenas três  presentes) foram apresentados como personalidades do governo.
Começa a reunião e, depois de um sinal, um dos homens da Rohmer toma a palavra e começa a listar os vários pontos das medidas, um a um, explicando porque não teriam funcionado e porque eram ilegais.

Inicia uma discussão que dura muito tempo. Os representantes de Banco Mundial e FMI deveriam ter ficado uma tarde, acabaram por ficar o dia seguinte. E o dia seguinte também, até o terceiro dia, no qual os representantes perguntam: "Em suma, o que querem fazer?".

Então é apresentado o plano da Rohmer. Os representantes chumbam o plano, afirmando que é uma loucura, que vai destruir o País em dois anos. O tom sobe, começam as ameaças, citam parágrafos, tratados internacionais. Até que um dos homens da Rohmer conclui: "Como Estado soberano, estamos em condições de apresentar uma queixa ao tribunal internacional em Haia. Para vocês 50 biliões de Euros são nada, para nós chegam".

Na manhã seguinte, os representantes de Banco Mundial e Fundo Monetário Internacional concordam com os termos da Argentina e deixam o País.

Passado três dias, os conselheiros da Rohmer voltam para os Estados Unidos, substituídos por economistas keynesianos (Modern Money Theory: diz algo?) que trabalham com o governo, implementando o plano económico que em quatro anos permite que a Argentina abandone o 45º lugar no mundo quanto à solvência e poder económico para alcançar o 12º.

Hoje, em Buenos Aires, há duas universidades específicas, onde é estudado apenas o funcionamento dos mecanismos perversos da finança especulativa aplicada. Para entrar nestas universidades é preciso ter uma licenciatura em Economia e em Direito Internacional.

Esta história não é inventada: é exactamente o que se passou nos anos 2005 - 2006, relatado por testemunhas oculares.

E o que ensina? Muitas coisas. Muitas coisas mesmo.
Mas disso vamos falar um outro dia, pode ser?
Bom Domingo.


Ipse dixit.

A pobreza do Banco Mundial

Diz o New York Times: "Relatório revela: a pobreza extrema em queda apesar da crise global".

Estranho, não é? Não, não é, só é preciso perceber donde chega este relatório:do Banco Mundial, que anuncia "Novas estimativas revelam uma queda da extrema pobreza entre 2005 e 2010".

Notícia relançada pelo The Economist:pela primeira vez na História, o número dos pobres diminui em todos os lugares".

Então, a crise global afinal faz bem? Mais desgraçadas as economias, melhor a vida de todos? E todos os novos desempregados?

Seria bom se assim fosse. Mas não é.

É preciso observar bem o relatório do Banco Mundial e perceber algumas coisas.
Por exemplo:

1. Os números nada dizem sobre o impacto da recessão.
Os dados reais cobrem o período 1981 - 2008, provavelmente os dados que terminam em 2008 nem podem dizer alguma coisa sobre o impacto duma recessão que começou nos Estados Unidos no final desse mesmo ano. O relatório alude a uma "estimativa preliminar" para 2010. Reparem: estimativa preliminar. E com base nisso o banco afirma com convicção que em 2010 atingiu o Objectivo de Desenvolvimento do Milénio, nomeadamente a redução para metade do nível de pobreza. Nível de pobreza que o Banco fixa em 1.25 Dólares por dia.

Mas as estimativas preliminares são apenas isso: estimativas preliminares, não dados reais. São extrapoladas a partir de amostras significativamente menores. Portanto, os dados não podem apoiar a afirmação do Banco porque, mais uma vez, os dados reais terminam em 2008. E se ainda houvesse dúvidas, podem ler as anteriores estimativas do Banco Mundial, sempre com um invejável excesso de optimismo e sempre pouco confiáveis.

2. A China é a chave.
Entre 1981 e 2008, o declínio total das pessoas que vivem em "extrema pobreza", ou seja, aqueles que vivem com menos de 1,25 Dólares por dia, aconteceu inteiramente na China: aí, o total das pessoas muito pobres caiu 662 milhões. Mas no mesmo período, o número de pessoas que vivem com menos de 1,25 Dólares por dia fora da China aumentou 13 milhões e são agora 1.100 milhões . Isso mesmo: 1 bilião de pessoas que vive com menos de 1.25 Dólares por dia.

No mesmo período, um grande número de pessoas caíram na pobreza extrema no Sul da Ásia (interessante este dado, pois no Sul da Ásia temos a Índia, País em rápido crescimento) e na África sub-saariana. Portanto, o título mais correto seria: "Ao longo das últimas três décadas, de 1981 a 2008, a pobreza diminuiu na China, enquanto aumentou no resto do mundo". Mas com um título assim, o Banco Mundial fica mal.

3. 1.25 aqui, mas aí?
Acerca do último ponto: 1.25 Dólares por dia podem ser sobrevivência no Mali, mas em outros Países? Tomar como referência um valor monetário absoluto para determinar a pobreza a nível mundial faz pouco sentido. na África do Sul? Em Haiti? Em Portugal, só para fazer um exemplo muito banal, 1.25 Dólares significam 1 Euro, 30 Euro por mês. E Esta é pobreza, profunda pobreza. Nos mesmos Países em crescimento, como a China e a Índia, a quantidade de dinheiro necessária para manter um padrão digno de vida aumentou.

Tudo isso acaba invariavelmente na questão das políticas que existem "atrás" da pobreza.

1. Neoliberalismo e pobreza
O que escondem os dados que mostram um aumento da pobreza fora da China entre 1981 e 2005?
Este período coincidiu com o auge das políticas neoliberais em favor das corporações multinacionais na maioria dos Países. Não é um mero acaso. Os dados podem ser interpretados como uma confirmação da análise crítica do liberalismo: a onda do fundamentalismo do mercado tem ajudado a aumentar o número de pessoas que vivem na pobreza.

Além disso, estes dados revelam que em uma região, a África sub-saariana, a proporção de pessoas que vivem abaixo da linha da pobreza aumentou durante este período. No único País onde houve uma queda, a China, os gestores não têm implementado um cego neoliberalismo, mas combinaram a gestão estatal da economia com o desenvolvimento de determinados sectores.

2. Longe das ajudas

E os dados do período de 2005 a 2008, uma fase em que os dados mostram um declínio da pobreza em todas as regiões do mundo? Ao contrário de 1981-2005, foi um momento em que você foi concedida um pouco de folga na asfixiante politica neoliberista de origem americana e, além disso, o preço de algumas commodities aumentaram, o que permitiu que alguns Países pobres conseguissem reembolsar os empréstimos do Fundo Monetário Internacional e...do Banco Mundial.

Isso mesmo: a situação em alguns Países melhorou só quando foi conseguido um afastamento das armadilhas das instituições geridas pelo grandes bancos de Wall Street.

E mais não é preciso dizer.


Ipse dixit.

Fontes: The New York Times, The Economist, Banco Mundial, IPS

O quê é a Nato?

Cresce o interesse das multinacionais pelos negócios "pobres": reformas, serviços. Tudo é ocasião para privatizar, introduzir códigos fiscais, novas contas bancárias, cartões de crédito.

É preciso liberalizar. E para liberalizar, os seguros tornam-se obrigatórios, pois já não há o Estado ou a autarquia nos bastidores, há só o privado.

Em Italia, por exemplo, em cruz estão agora os taxistas que, ao ler os diários nacionais, vivem em condições próximas daquela de Bill Gates. Aliás, nem se percebe porque continuam a trabalhar, deve ser um vício, como a cocaína.

A conclusão? A mesma dos taxistas dos Estados Unidos, totalmente liberalizados, totalmente compostos por imigrados: pessoas que fugiram dos próprios Países, das condições de inimaginável miséria, para aceitar salários de fome no estrangeiro.

Doutro lado, migrar é uma necessidade, não apenas das pessoas mas dos governos: por isso o primeiro ministro de Portugal e alguns homens do executivo dele convidam os Portugueses a abandonar o País. Tudo tornará mais simples gerir as liberalizações, que serão reduzidas até meros conflitos étnico-raciais, com as vítimas umas contra as outras. Racismo e xenofobia: pode haver acusação pior?

O que é mais simples: controlar um povo ou controlar um conjunto de pessoas com língua, religiões, usos diferentes? Paradoxalmente, a resposta correcta é a segunda, porque neste caso é suficiente a força.


Assim os diários italianos, em vez de tratar da revolta dos forcados (que continua), tratam dos taxistas, autênticos paxás que evadem o fisco, obstaculizam o crescimento, provavelmente lapidam as mulheres infiéis.

Um meu colega do liceu era filho de taxista e não lembro de tamanha riqueza; mas provavelmente disfarçava (e bem, diga-se). 

Estes tons de psico-guerra imperialista contra as corporações não são uma anomalia da propaganda, mas representam um facto natural que tem como objectivo a máxima privatização da sociedade. São a "prática" enquanto a "teoria" pode ser encontrada no Business & Economics Program do Concelho Atlântico, o órgão da Nato.

Nato e governance mundial? Esquisito, não é?
Não, não é: os bombardeiros servem para gerir o business. E com a guerra na Líbia, só para fazer um exemplo, deveríamos já ter percebido isso: bombas e bancos. A sinergia perfeita.

Vamos ver quem são os membros do Concelho Atlântico? E vamos.

Olhaolhaolha: entre os membros do Advisor Group do Business & Economics Program que trata das liberalizações há um italiano, tal Mario Monti.

Ehi, mas não é aquele homem dos bancos? É.
E não é aquele senhor que foi nomeado primeiro ministro sem ser eleito por ninguém? É.
No mesmo País onde os taxistas agora são a vergonha nacional? É.

Coisas estranhas da vida. Mas vamos em frente.

Ian Brzezinski, filho de Zbigniew Brzezinski, irmão do advogado Mark Brzezinski e do jornalista MSNBC Mika Brzezinski. Palavras para quê?

Outros:
Nancy Walbridge Collins, Aspen Institute, Council on Foreign Relations, Foreign Policy Association, Intelligence and National Security Alliance, International Institute for Strategic Studies, Rockefeller Foundation
Caio Koch-Weser, Banco Mundial, Deutsche Bank, World Economic Forum
Angel Ubide, Tudor Investment Corporation
Paula Stern, Stern Group
Jean Lemierre, BNP-Paribas
Rod Hunter, IBM
Paula Dobriansky, Thomson Reuters
Jacob A. Frenkel, American International Group (AIG)
Daniel Vasella, Novartis International AG
Gunter Thielen, Bertelsmann AG
Robert J. Stevens, Lockheed Martin
Martin Senn, Zurich Financial Services
John Wren, Omnicom
Jacob Wallenberg, Investor AB
Martin Sorrell, WPP Group PLC
Stephen A. Schwarzman, The Blackstone Group
Gordon Nixon, Royal Bank of Canada
Rupert Murdoch, News Corporation
Muhtar Kent, The Coca-Cola Company
Thomas Enders, Airbus S.A.S.
Robert E. Diamond, Barclays PLC
Josef Ackermann, Deutsche Bank AG

A lista poderia continuar, mas podemos parar, é já suficientemente claro. Ou seja, não é muito claro o que raio está a fazer a Coca-Cola na Nato, se calhar serve as bebidas.

A moral é que hoje a Nato é uma das maiores organizações de lobby bancárias, com certeza a mais potente, onde o papel principal é desenvolvido por elementos como JP Morgan, Deutsche Bank e Goldman Sachs: pois por cada nome de empresa contido na lista acima é possível efectuar breves pesquisas e descobrir assim a complicada teia de ligações, no fim das quais encontramos os conhecidos do costume.

Não admira, portanto, que Robert Zoellick, presidente do Banco Mundial e homem Goldman Sachs,  tenha encontrado os membros do Concelho partilhando pérolas de sabedoria, numa reunião "generosamente suportada pela Deutsche Bank".

"Conflito de interesses"? Não entendo, o que significa?


Ipse dixit.

Fontes: Atlantic Council, Mondart

A economia militar

Militares e "alta" finança? Que têm em comum o Pentágono e a JP Morgan? Resposta: muito, muito mesmo.

Hoje é repetido muitas vezes (também neste blog) que a economia de papel já não tem nada a ver com a economia real. Isso é verdade, mas mesmo assim a economia continua a ter uma ligação com outro tipo de "realidade", aquela das armas: porque um banco não tem a força necessária para prevalecer no circuito internacional da produção e do consumo. Esta é uma tarefa que é desenvolvida por outras forças, as forças militares.

 No dia 11 de Maio do ano passado, CNN Money, fez saber que JP Morgan está no Afeganistão, a caça de recursos minerais local, com a ajuda do Pentágono. Não é uma excepção: é a regra. 
McNamara, falecido em 2009, tinha sido Secretário de Defesa com os presidentes Kennedy e Johnson. McNamara é famoso pela organização que deu ao Pentágono, torna-do na mais colossal máquina de despesa pública da história.

McNamara: vamos conhece-lo melhor? E vamos.


McNamara

Jackie McNamara, futebolista escocês, defensor do Falkirk. Passou 10 anos da sua carreira no Celtic, do qual foi também capitão. Parece esquisito que um  jogador futebol possa ter desenvolvido um tal papel no Ministério da Defesa? Terá sido uma conspiração?

Ahhh, Robert, não Jackie, tá bom, tá bom, então recomecemos.

Robert McNamara, que nunca foi futebolista escocês, nasceu na Califórnia e logo após ter nascido entrou no exército durante a segunda Guerra Mundial, como Oficial de Estatística (isso é: acção, tipo Rambo, só um pouco mais velho).

Acabada a guerra, não sabendo o que fazer, decidiu ser presidente da Ford Motor Company, mas após uns 15 anos fartou-se e decidiu aceitar o convite de JFK que queria McNamara para pôr em ordem as contas do Pentágono. Coisa que o simpático McNamara fez.

Ampliou o armamento convencional e aquele nuclear, geriu (mal) a crise de Cuba com Kennedy, geriu (mal) a guerra no Vietname (as tácticas sugeridas por ele foram um fracasso e o Pentágono decidiu abandona-las) e as despesas militares cresceram de 48.4 biliões em 1962 para 49.5 em 1965 até 74.9 biliões de Dólares em 1968. Considerada a taxa de inflação, tal valor permaneceu o máximo alcançado até 1964.

Após tamanho sucesso, lógico o papel como Presidente do Banco Mundial.

Com McNamara no leme, o Banco Mundial mudou e a prioridade tornou-se a luta contra a pobreza. Deve ser por isso que no mundo já não há pobres.

O activismo de McNamara no Banco Mundial garantiu que esta instituição se tornasse uma entidade assistencial para o benefício dos bancos e das corporações, um organismo criado por McNamara ainda mais eficiente do que o Fundo Monetário Internacional (do qual o Banco Mundial era considerado o irmão mais novo). Entre outras coisas, McNamara era obcecado pela ideia de que uma das principais causas da pobreza fosse o aumento populacional e, de facto, poucos como ele tem contribuído para o aumento da mortalidade nos Países pobres.

McNamara foi mais do que um líder, foi uma encruzilhada de interesses e a representação dos conflitos de interesse: gerente industrial, político, banqueiro, também pseudo-ideólogo da democracia e dos direitos humanos, ele, que tinha feito despejar um mar de bombas nos céus do Vietname.  


McNamara representou a expressão mais típica da democracia como falsa consciência do imperialismo: militar, homem de negócio, "amigo dos pobres" mas ainda mais dos bancos e das corporações, ainda hoje é venerado nos Estados Unidos, onde não esquecem o seu firme passado de militar profundamente anti-comunista. 

E falta um homologo nos outros Países: McNamara poderia ter sido só americano.


Nato e economia

Os Bric (Brasil, Rússia, Índia e China) apresentam taxas de crescimento de 10% por ano, mas falta-lhes essa capacidade de ver que a economia e os negócios são algo de completamente diferente e, consequência, não fazem negócios com uma máquina de guerra, uma arte em que McNamara acabou por dominar.


JP Morgan ainda usa o grande trabalho de McNamara no Banco Mundial. Com efeito, há um mega-programa para "proteger" os agricultores pobres do mundo da volatilidade dos preços, e quem o Banco Mundial encarrega do desenvolvimento deste programa? JP Morgan.
 
Repetimos que a economia é dirigida pelos "mercados", o que é verdade. Mas há cantos da economia que ficam numa zona cinzenta. O Concelho Atlântico, por exemplo, órgão supremo da Nato, organizou um Business & Economics Program em colaboração com o Banco Mundial para implementar uma "liderança transatlântica na economia global" para uma "crescente integração da economia dos EUA e da Europa". "Integração" significa, naturalmente, colonização. Nessas reuniões é ainda tratada a questão da dívida europeia: militares da Nato e dívida?

 
A última reunião desta agenda aconteceu entre o presidente do Banco Mundial, Robert Zoellick, e o presidente do Conselho do Atlântico, Fred Kempe, e teve lugar no passado 16 de Dezembro no Hotel Four Seasons, em Washington.


Militares, Banco Mundial: tudo normal?


Ipse dixit.

Fontes: Voci dalla Strada, Banco Mundial (versão inglesa),

O Banco, os Chineses e a África

Eis uma notícia que deveria fazer reflectir.

Um estudo da sociedade Fitch revela que ao longo dos últimos dez anos o Banco Export-Import chinês (Exim Bank) emprestou 67,2 biliões de Dólares às mais pobres regiões da África, nomeadamente a zona sub-sahariana.

Qual é o espanto? Cá está: no mesmo período, o Banco Mundial emprestou 54,7 biliões de Dólares, muito menos do que o banco chinês.

Os Países interessados são os seguintes:
Angola
Etiópia
Nigéria
Sudão

E nos últimos tempos foram envolvidos também outros Países, de forma que o empenho do Exim Bank aumentou de 12,5 biliões de Dólares.


Coisa interessante, são os mesmos Países que preferem o dinheiro de Pequim: as condições oferecidas são mais vantajosas, as taxas de juros são mais competitivas, os prazos para os pagamentos resultam ser mais flexíveis, os empréstimos são destinados à criação de importantes infraestruturas. Por isso os governos locais preferem o banco chinês em detrimento do Banco Mundial ou do Fundo Monetário Internacional.

Não só, mas com o fim do ano 2009, 35 Países africanos obtiveram a anulação das dívidas que tinham contraído com Pequim, um total de 30 biliões de Dólares.

Depois aqui continuamos a falar do mórbido neo-colonialismo chinês.
Sem dúvida o Exim Bank não faz nada em troca de nada, sem dúvida os Chineses ganharão com estas operações. Tudo verdadeiro, tudo correcto.

Mas não será o caso de perguntar como é que os mesmos Países desfavorecidos escolhem a ajuda chinesa em detrimento daquela do Banco Mundial, cuja missão, como lembra Wikipedia, "é a luta contra a pobreza, através de financiamento e empréstimos aos países em desenvolvimento"?

Como é possível que o Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional invistam menos do que um único País?


Ipse dixit.

Fontes: Movisol via Stampa Libera, Wikipédia