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Trabalho: é o princípio que conta

Nos Estados Unidos as coisas melhoram.
Devagarinho, abaixo das expectativas, mas melhoram.

E poderiam melhor ainda mais sem um verdadeiro exército de parasitas que enfraquecem o País.

Quem é este exercito? Simples: as crianças. Este conjunto de pequenos homens e mulheres que nada fazem em prol do bem comum e que limitam-se a sugar o fruto do trabalho dos outros; estes predadores com caras de anjinhos que desperdiçam a riqueza do Estado Federal.

Mas os tempos mudam e finalmente há pessoas que falam: chegou a altura de acabar com estes vampiros em miniatura. Ray Canterbury é um republicano da Virgínia Ocidental que quer enfrentar e resolver o problema. Sem cerimónias, sem medo.
Eu acho que seria uma boa ideia ter crianças que trabalham para os seus almoços: lixo para ser retirado, corredores para ser varridos, relva para ser cortadas, fazê-los ganhar.
Justo. Estes parasitas sentam-se e esperam: sabem que há sempre um coração de manteiga que entrará na escola com uma refeição quente. Uma família em cada duas ainda consegue juntar algo para comer com os Food Stamps, as almas pias sabem disso e as crianças desfrutam estas tristes condições para provocar um sentimento de piedade, ternura, doçura, tudo o que acabar em "-ura".
E comem, de graça.

Mas os pequenos parasitas não tinham feitos as contas com Canterbury, que não baixa os braços perante este truques sorrateiros:
Se eles [os alunos] perderem um almoço ou uma refeição podem não aprender, naquela classe, naquela tarde, a adicionar, podem não perceber o esquema de uma frase, mas vão aprender uma lição mais importante.
Isso mesmo: adicionar é importante, até saber falar pode dar um certo jeito, mas há regras universais que devem ser introduzidas nas cabecinhas dos pequenos aproveitadores desde logo. Só assim podem ser recuperados e, quem sabe, até integrados na sociedade.

E de todas as regras universais, há uma mais universal do que as outras e que corre grande perigo:
Acho que o que estamos a fazer é prejudicar a ética do trabalho e ensinar aos alunos que não têm que trabalhar duro.
É verdade, não há como dar a volta. Uma criança senta-se na cantina da escola e eis que milagrosamente aparece um prato de comida. Qual ideia passará no cerebrinho da criatura? A ideia de viver num mundo dourado, onde não é preciso trabalhar porque há sempre alguém que chega com um prato cheio.

Pior: a criança aprende a manipular os adultos, a fazer-se pequena para comer sem trabalhar. Podemos facilmente imaginar o resto: mais tarde chega a adolescência, a droga, o heavy metal, os assaltos aos bancos, a prisão. 

A prisão? Claro: a criança aprendeu que aí também pode ter almoços grátis também, a criança não é parva.

É um esquema que tem de ser quebrado com urgência; e tudo isto pode ser evitado se a criança aprender desde logo "a ética", que para viver é preciso sofrer: só o trabalho (e "duro", como bem realça Canterbury) dá direitos. Nada de trabalho? Nada de comida, não importa a idade, é o princípio que conta. 

There is no such thing as a free lunch, não existe tal coisa como um almoço grátis, observa Canterbury.
Palavras sagradas dum homem que percebeu tudo.


Ipse dixit.

Fontes: The Washington Post, The State Journal

Há coisas que não mudam

Dallas, EUA, 1963

- Chefe, temos que tramar um gajo com o homicídio do Presidente.
- E quem é este?
- Um tal Oswald.
- E como é que teria morto o Presidente?
- Com uma carabina.
- Então, Smith, não há crise: ponham o recibo de compra da carabina na secretária dele.
- Genial, Chefe, genial!
- Pois, é por isso que sou chefe...

E foi assim que a policia encontrou na secretária de Oswald o recibo da carabina Mannlicher-Carcano adquirida três meses antes via correio.

- Chefe, pensava...sabe, este é um caso duma certa importância...o recibo não será pouco?
- Achas? Então tira uma foto de Oswald com a carabina.
- Ó Chefe, Oswald está morto, lembra-se? Enviámos o Ruby...
- Eu sei que está morto. Smith, nunca ouviste falar de fotomontagem?

Nasceu assim a fotografia de Oswald com a carabina na mão e a sombra do nariz diferente das sombras do ambiente.


Duas provas: agora sim que o caso podia considerar-se fechado. 


Oklahoma City, EUA, 1995

- Chefe, temos que tramar um gajo por causa do Murrah Building.
- E quem é este?
- Um tal Timothy McVeigh.
- Não há crise, Smith, não há crise: ponham o recibo de compra da carabina na secretária dele.
- Ó Chefe, foi uma bomba, não uma carabina...
- Uma bomba? E como é que conseguiu pôr uma bomba no Murrah Building?
- Com um furgão cheio de estrume.
- Então encontrem um pedaço do furgão e liguem-no ao gajo.
- Fantástico, Chefe, fantástico!
- Óbvio, sou o chefe...

E foi assim que a quatro prédios de distância foi encontrado um pedaço do furgão, com tanto de número de série: com isso foi possível descobrir que o meio tinha sido alugado por McVeigh, três dias antes do atentado.

- Chefe, pensava...sabe, aquela do furgão foi uma boa ideia mas...não será pouco?
- Achas? Ponham um recibo na secretária dele.

E foi assim que a policia encontrou na secretária de McVeigh o recibo do estrume adquirido três meses antes.


Duas provas: agora sim que o caso podia considerar-se fechado.


New York, EUA, 2001

- Chefe, temos que tramar uns quantos islâmicos por causa das Torres Gémeas.
- E quem são estes? Bah, deixa, afinal são islâmicos...ponham o recibo de compra do estrume nas secretárias deles.
- Ó Chefe, foram dois aviões desta vez...
- Dois aviões cheios de estrume? Ó Smith, mas quem é que voa em dois aviões cheios de estrume?
- Chefe, pode esquecer o estrume?
- Posso, claro que posso, sou o chefe. Então ponham os documentos dos islâmicos nos destroços das Torres Gémeas.
- Excelente, Chefe, Excelente!
- Normal: sou o chefe.

E foi assim que o passaporte dum dos terroristas islâmicos foi encontrado a três prédios de distância das Torres Gémeas, com fotografia e nome perfeitamente legível.

- Chefe, pensava...sabe, aquela dos documentos foi uma boa ideia mas...não será pouco?
- Outra vez? Ó Smith, inventem algo, sei lá, peguem numa mala, juntem algumas coisas, algo do género...

E foi assim que em Boston foi encontrada uma mala cheia de testamentos, Corãos e, obviamente, o manual para pilotar um Boeing 767.


Duas provas: agora sim que o caso podia considerar-se fechado.


New York, EUA, 2013

- Chefe, lembra-se daquela coisa dos aviões, dos islâmicos, das Torres Gémeas?
- Eh? Ah, sim, vagamente...
- Sabe, Chefe, há alguém que fala de drones, diz que foi isso que atingiu as Torres e não dois Boeing. Temos que fazer mudar de ideia, não acha?
-  Pois, eu bem tinha dito para pôr o recibo do estrume nas secretárias...então façam isso: ponham um pedaço de avião algures, tá bom?
- Maravilhoso, Chefe, simplesmente maravilhoso! Um pedaço...ehi, Chefe: um avião é grande, um pedaço de avião é grande também. Passaram 12 anos, não podemos pôr um trem de aterragem por cima duma árvore...
- Porque não? Depois explicas que foram os pássaros a esconde-lo no ninho.
- Mas pesa centenas de quilos, ninguém vai acreditar!
- Achas? Experimenta pôr o recibo do trem na secretária dos pássaros, vais ver se não acreditam.
- ...
- Ok, ok, então mudamos: olha, Smith, não temos aí perto uma mesquita? São 5 anos que estamos a vigia-la, dia e noite. Passa no Departamento dos Recursos Avançados, requisita uma corda, vai até a mesquita, diz à policia para deixar-te passar e põe o trem de aterragem num lugar onde não dê nas vistas.
- Chefe, este é o melhor plano alguma vez imaginado!
- Sou ou não sou o Chefe?

E foi assim que na traseira duma mesquita foi encontrado o trem de aterragem dum dos aviões que embateram nas Torres Gémeas, com tanto de número de série.


- Feito, Chefe, engoliram esta também.
- Muito bem. Ah, Smith, ligaram aqueles dos Recursos Avançados: querem a corda de volta.
- A cord...!?!?!



Ipse dixit.

Quem ganha com os atentados de Boston

Assim, a caça ao homem acabou: um terrorista morto, outro preso e ferido.
Dois rapazes tchetchenos, islâmicos, que viviam nos Estados Unidos.

São eles os responsáveis? Parece.
Foi um false flag, um ataque organizado pelos EUA contra os EUA? Não sabemos, mas até agora Washington não ganha com esta hipótese.
  • Os atentadores não parecem estar relacionados com a mítica Al-Qaeda, nem com um dos Países do "Eixo do Mal": são originários duma república no território russo.
  • O atentado não foi perpetrado com armas convencionais: panelas de pressão, pedaços de metais, pólvora. Desfrutar isto numa cruzada contra a venda de arma vai ser complicado.
  • Nem no fronte da imigração as coisas estão melhores: os tchetchenos representam uma minoria entre aqueles que desejam entrar nos Estados Unidos, o verdadeiro problema são os hispânicos, principalmente do México.
Como se não fosse suficiente, o FBI fez uma péssima figura no meio de tudo isso: conhecia os irmãos, um dele tinha já sido investigado em 2011 após uma comunicação dos serviços secretos da Rússia.

Será que temos de admitir um coisa tão óbvia: que o terrorismo existe além dos false flags? Que os Estados Unidos recolhem o fruto daquilo que semearam ao longo das últimas décadas?
Assim parece.

No entanto há alguém que ganhou com o atentado de Boston. Este alguém tem pelo menos dois nomes: vídeo-vigilância e redes sociais.

Poucas horas depois das explosões, internet estava repleta de imagens: antes do público no geral, depois cada vez mais específicas, centradas em poucos indivíduos. Dois destes eram de facto os atentadores. A partir de hoje será mais complicado contrastar a presença de câmaras nas ruas, haverá sempre um agente do FBI, um jornalista ou um político para lembrar como em poucas horas "justiça foi feita" graças às imagens gravadas.

Mas também as redes sociais ganham: Facebook teve um papel preponderante e até ultrapassou em velocidade os principais órgãos de informação, seja mainstream que alternativos. As fotografias com as setas, as ampliações, as suspeitas: antes apareceram no Facebook, só depois foram rapidamente ré-utilizadas pelos media.

As redes sociais, em primeiro lugar aquela de Mark Zuckenberg, guardam agora o crédito. Chegará a altura para utiliza-lo.


Ipse dixit.

Relacionados: A lobby política de Facebook

Bombas em Boston: três mortos

O curioso Leitor acede ao blog com a certeza de encontrar algumas agudas observações acerca do
atentado de Boston ou, pelos menos, notícias surpreendentes.
Lamento: não há.

Fui espreitar nos diários dos Estados Unidos, nos fóruns, mas a verdade é que não há nada: o que sabem todos é quanto reportado até agora pelos órgãos de informação.

Tudo o resto é mera especulação.

A propósito:
  • fala-se duma página Facebook criada antes do atentado com no título uma referência para as vítimas das explosões. Lembro que é possível mudar o título duma página em qualquer altura, independentemente da data da criação.
  • fala-se dum episódio duma série cartoon (Family Guy) no qual o protagonista fazia explodir duas bombas durante a maratona de Boston. Na verdade, o vídeo no Youtube é composto pro dois excertos cortados e colados de forma a das a impressão dum único episódio. Mas não é.
  • fala-se também de exercícios militares na iminência do atentado. Mas quem seguir os acontecimentos do outro lado o oceano, sabe que tais exercícios tornaram-se bastante comuns sobretudo nas maiores cidades, com tanto de helicópteros, meios e homens armados, em alguns casos até tanques.
A única notícia realmente interessante parece passar quase despercebida: antes da maratona eram presentes sniffing dogs, os cães anti-bomba, qual operação de bonificação preventiva. Como afirmado por um responsável da segurança num fórum especializado, trata-se dum procedimento normal hoje em dia nos Países ocidentais em ocasião de grandes eventos onde é prevista a participação de muitas pessoas.

Todavia os cães não sinalizaram a presença de nada de suspeito. O que é esquisito, sem dúvida.

Resumindo:
  • és muito inteligente, porque colocas várias bombas numa área bem controlada.
  • és muito escasso, porque usas bombas artesanais
  • tens a oportunidade de fazer um massacre (alguns milhares de vítimas potenciais), mas as explosões são fracas porque escolhes direcciona-las para a parte baixa das pessoas (zona das pernas e da pelve), matam "apenas" pessoas
Não parece um clássico terrorista (que deseja provocar o máximo estrago), a intenção parece assustar.
Mas também esta é uma mera especulação.


Ipse dixit.

Fonte: Sott.Net

A lobby política de Facebook

Vamos imaginar um cenário: o Leitor é o dono duma empresa fundada e desenvolvida na internet.

Esta empresa oferece aos próprios membros espaço para discussões, para alojar imagens, jogar, encontras pessoas, ouvir música, partilhar de tudo um pouco. Esta empresa consegue centenas de milhões de membros.

É verdade: esta empresa espreita na vida pessoal dos membros, analisa os gostos, os hábitos, ignora a privacy, até colecta dados pessoais sensíveis, mas agora isto não interessa. E depois a maior parte dos membros não se preocupa com estas coisas.

O que interessa é que e empresa do Leitor factura, e bem. Mas isto conta até um certo ponto: com todo o dinheiro conseguido até hoje, o Leitor não terá que preocupar-se acerca do futuro. Então o que fazer com esta empresa chegados a este ponto?

Este é o "problema", por assim dizer, de Facebook e Youtube. Que parecem ter encontrado uma solução.

Facebook e Youtube, as duas grandes redes sociais que declaram ter ultrapassado o limiar do bilião de membros, mudam de facto alguns aspectos da geopolítica, em especial da política dos EUA. Por enquanto apenas dos Estado Unidos, porque estas empresas não conhecem fronteiras.

Na verdade, estes dois gigantes não podem ser definidos simplesmente como "Comunidade Digital", pois o comportamento dos membros, e em particular dos proprietários, tornam Facebook e Youtube macro-entidades supranacionais. Abrir uma conta é como obter um cartão de identidade, uma espécie de passaporte. E, acima de tudo, respeitar os "Termos e Condições" (que ninguém lê) significa aceitar uma constituição que de democrático tem muito pouco.

Mas nestas novas macro-entidades, qual a ideia do futuro? Falamos aqui não das ideias dos membros, que contam o que contam (isto é: nada), mas dos donos. Estas pessoas, que tornaram-se para as multinacionais indispensáveis meios de promoção e que repetidamente violam a privacidade dos seus membros, terão também uma estratégia política? Tencionam influir ainda mais na sociedade real? E, eventualmente, como?

O proprietário de Facebook, Mark Zuckenberg, no começo da segunda semana de Abril falou acerca duma captação de fundos em favor do governador do New Jersey Chris Christie, um republicano. Obviamente, o facto alertou os Democratas.

Já era conhecido o facto de Facebook-Zuckenberg desejar algo com claras conotações políticas: a operação tem como objectivo uma "reforma abrangente da imigração e da educação".

Segundo alguns, a iniciativa acerca da imigração está relacionada com o facto da maioria dos cérebros operam na Silicon Valley serem oriundos de várias partes do mundo, algumas das quais são áreas altamente estratégicas, como a China, a Índia ou a Rússia.
De acordo com outras fontes, a visão de Facebook acerca da imigração seria uma forma de recolher as simpatias de todos os que sonham de entrar mais cedo ou mais tarde nos EUA.

Mais preocupante a questão da educação: a ideia de que um gigante da web, juntamente com outros parceiros institucionais e não, possa ter o objectivo de "educar" as novas gerações é algo terrificante. Mas parece que a operação esteja em pleno andamento. Vale a pena aprofundar este ponto.

No passado dia 9 de Abril, "Política", uma respeitada publicação on-line dos Estados Unidos, "intercepta" um e-mail. E já a coisa é um pouco esquisita: como é possível "interceptar" um e-mail?
Em frente:  o e-mail, que tem o nome de Prospectus tinha sido enviada apenas para um número limitado de pessoas, e o remetente era uma personagem histórica: Mr. Joe Green, um dos colegas de quarto em Harvard de Mark Zuckenberg.

O texto do correio contem declarações interessantes. Entra estas, brilham as afirmações de acordo com as quais Bill Gates, da Microsoft, e Marc Andreessen (co-autor do Mosaic e co-fundador da Netscape), iriam juntar-se na tal operação “reforma abrangente da imigração e da educação”. rodada do jogo. Segundo Politico, a alegação é negada por parte dos interessados. Na verdade a coisa é um pouco diferente: o porta-voz, tanto de Gates quanto de Andreessen, não comenta.

Sempre de acordo com Joe Green, o nome da operação deveria ter sido Human Capital, mas é provável que entretanto tenha sido mudado, sobretudo por causa da publicidade involuntária recebida.

O grupo dos membros da operação seria formado também por: o fundador da Netflix, Reed Hastings, o criador de Twitter, Jack Dorsey, o co-fundador de LinkedIn, Reid Hoffman, mais algumas chefias de Dropbox, Kynga, Instagram e investidores, provavelmente prontos para apoiar tudo.

O site Politico lembra como as sementes da iniciativa teriam sido lançadas no Verão passado, durante uma reunião do chefe do sector tecnológico, em que foi feito um apelo para a criação duma representação, com o fim de defender a visão e a política industrial da área; uma espécie de Motion Pictures Association (Hollywood) ou Big Pharma.

Neste aspecto  é preciso dizer que outros grupos digitais têm planos diferentes perante as questões da imigração e da educação: é o caso de Eric Schmidt do Google ou dos chefes da Intel, Oracle e Cisco. Há, portanto, uma outra frente, que de momento não tomou uma posição pública.

Voltando ao e-mail Prospectus, vale a pena realçar algumas frases de Joe Green:
o povo da tecnologia pode ser organizado em uma das mais poderosas forças políticas [...]
Nós vimos a ponta do icebergue na altura da SOPA / PIPA" (o maior apagão da rede que ocorreu em 2012 para protestar contra uma votação do Congresso dos EUA) [...] A nossa voz tem um grande peso, porque somos populares [...] Entre nós há pessoas com muito dinheiro e isso pode ter uma grande influência no financiamento da campanha.
Resumindo: a questão parece ser um difícil campo de batalha para o futuro. E não será limitado apenas aos "direitos dos autores", mas incluirá também problemas como a migração das pessoas e a gestão das mentes (a chamada educação).

Tanto para ter uma ideia do tamanho da coisa, a operação de Mark Zuckenberg implicou um investimento inicial de 20 milhões de Dólares. Porque Facebook e Youtube são muito mais do que jogos e vídeos.


Ipse dixit.

Fontes: Megachip, Politico (1, 2, 3, 4), The Australian

Grupo Bilderberg: a pergunta de Pai Natal

Diz o Leitor Pai Natal num comentário do post anterior:
pertencendo este blog a alguém ligado a italia, vim aqui pensando que encontraria um artigo relacionado com o que o senhor Ferdinando Imposimato disse:

http://www.infowars.com/italian-supreme-court-president-blames-bilderberg-for-terrorist-attacks/

dado conhecer bem a realidade italiana, diga-me, por favor, este senhor é credível (apesar de que aquilo que ele disse, qualquer imbecil já sabia ser verdade, pelo menos qualquer imbecil familiarizado com a nova ordem mundial e operação gladio)?
Posso eu ignorar um pedido de Pai Natal e tornar tristes todas as crianças da Terra? Claro que não, não desejo uma responsabilidade destas. Por isso vamos ver o que conta Infowars.

Antes uma breve explicação: não sigo as aventuras do Grupo Bilderberg pela simples razão que, se a intenção for perceber algo, não observo as acções dos servos mas as ideias dos patrões, que julgo serem mais importantes. E o Grupo Bilderberg não passa disso: um conjunto de mordomos. Não é aí que fica o leme, estes só se limitam a remar.

O artigo

Mas vamos em frente, eis o artigo traduzido:

O Presidente do Supremo Tribunal Italiano culpa o Bilderberg de ataques terroristas
O Presidente Honorário do Supremo Tribunal da Itália e ex-Chefe de Investigação, o juiz Ferdinando Imposimato, o homem que investigou o caso da tentativa de assassinato do Papa João Paulo II, acusa sensacionalmente o Grupo Bilderberg de estar por trás dos ataques terroristas na Europa.

Numa entrevista com o site ArticoloTre, Imposimato, que esteve também envolvido no rapto e assassinato do ex-primeiro-ministro italiano Aldo Moro, disse ter "encontrado um documento que deixou-me chocado", que implicaria o Grupo Bilderberg numa conspiração com a organização de extrema direita Ordine Nuovo para cometer atentados terroristas.

Falando de assassinatos não resolvidos em Itália e do documento na sua posse, Imposimato afirmou:
Quando se trata de massacre, também fala-se do Grupo Bilderberg. Acredito neste documento. Fiz alguns testes e posso dizer que por trás da estratégia da tensão e dos assassinatos também há o grupo Bilderberg, uma espécie de Big Brother que manobra, usando os terroristas e os maçons.
A "estratégia de tensão" refere-se a uma política sob os auspícios da Operação Gladio, a organização da Nato Stay Behind durante a Guerra Fria, um projecto que procurou criar um clima político artificioso na Europa, com agentes a realizar ataques terroristas que depois eram atribuídos aos grupos extremistas da Esquerda e da Direita.

Gladio foi projectada para demonizar a oposição política e "forçar o público a virar-se para o Estado para pedir mais segurança", de acordo com o testemunho do ex-agente da Gladio Vincenzo Vinciguerra. Em 2000, uma investigação parlamentar italiana descobriu que a explosão do comboio em Bolonha, em 1980, que matou 85 pessoas, foi realizada por "homens dentro das instituições italianas e... homens ligados às estruturas da intelligence dos Estados Unidos."

Explicou Vinciguerra num testemunho sob juramento:
Era preciso atacar civis, homens, mulheres, crianças, pessoas inocentes, pessoas desconhecidas afastadas de qualquer jogo político. [...] A razão era muito simples. Era suposto forçar estas pessoas, o público italiano, a recorrer ao Estado para pedir mais segurança. Esta é a lógica política que fica por trás de todos os massacres e os atentados, que permanecem impunes, porque o Estado não pode condenar-se e não pode declarar-se responsável pelo que aconteceu.
Imposimato afirma que o documento foi-lhe dado por um ex-terrorista de Ordine Nuovo. Os membros de Ordine Nuovo ("Nova Ordem" em italiano) participaram em numerosos atentados terroristas, incluindo aquele de Piazza Fontana em 1969, do comboio Roma-Messina em 1970, de Piazza della Loggia, em Brescia, em 1974 e no atentado ao comboio Italicus em 1974.

O Grupo Bilderberg é uma reunião anual de cerca de 120 entre os mais influentes agentes do poder no planeta, do mundo da política, dos negócios, de bancos, universidades, meios de comunicação, e até da realeza. A reunião anual da organização é realizada em luxuosos hotéis na Europa, Canadá ou Estados Unidos, mas, apesar da presença duma infinidade de "pesos pesados", a grande imprensa dá ao evento uma escassa cobertura, rotulando-o como um simples encontro de negócios, apesar da admissão em 2010 do ex-Secretário Geral da Nato e membro do Bilderberg, Willy Claes, segundo o qual os encontros do Grupo servem para implementar decisões políticas que são formuladas durante a reunião.

Há inúmeros outros exemplos de como o Bilderberg tenha influenciado os grandes eventos globais com antecedência, escolhendo Presidentes e Primeiros-Ministros no total desprezo para com processo democrático.

Em 2009, o Presidente do Bilderberg, Étienne Davignon, gabou-se como até mesmo a moeda única, o Euro, foi uma criação do Grupo Bilderberg.

O ataque de Imposimato contra o Bilderberg segue os passos do seu compatriota Alfonso Luigi Marra, um proeminente advogado que recentemente solicitou ao Ministério Público de Roma uma investigação acerca do Grupo Bilderberg para actividade criminal, questionando se a reunião da organização em 2011 na Suíça tivesse levado à nomeação de Mario Monti como Primeiro-Ministro da Itália.

Rotulando o grupo como uma "única, ilegal irmandade" de elitistas que consideram-se "acima da lei", Marra apontou o dedo contra o Bilderberg por estar na origem de guerras, colapsos económicos e armar ditadores cujas actividades "constituem uma violação óbvia, flagrante, para dizer o mínimo, dos artigos do Código Penal".

As datas exactas e localização da reunião Bilderberg de 2013 ainda estão para ser confirmadas, a especulação tem-se centrado em volta dos arredores de Londres, no início de Junho.
Até aqui o artigo.
Agora algumas considerações.

Infowars: o importante é impressionar

Infowars não é o máximo quando a ideia for conseguir notícias que não tentem apenas chamar a atenção.

Ok, vamos dizer isso duma forma mais simples: Infowars gosta de notícias que provoquem sensação, o que muitas vezes acarreta riscos, primeiro entre os quais concentrar-se apenas nos aspectos mais bombásticos, deixando de lado eventuais verificações e aprofundamentos. Não que seja um site "mau": só que neste aspecto poderia ser bem melhor. Esta é a razão pela qual aqui em Informação Incorrecta é raramente utilizado como fonte.

Um exemplo?
O mesmo Leitor Pai Natal cita um link no qual Mike Martinez, nº 2 da autarquia de Austin (Texas), revela que a agenda do presidente Obama prevê o retiro total das armas.

Então é assim: se Mike Martinez fosse um testemunho a meu favor num acidente rodoviário no qual tenho razão, eu assumiria logo a culpa toda. Seria mais seguro.

Porque Martinez é o mesmo fulano que define "piadas" duas pessoas só pelo facto destas serem pretas (e, claro está, é a seguir obrigado a pedir desculpa perante a National Association for the Advancement of Colored People).
É a mesma pessoa que entra no local das urnas durante as eleições com aparelhos de gravação para depois publicar as imagens no Facebook, violando assim as leis federais.
É o mesmo simpático fulano que envia correio spam para denegrir os adversários que não concordam com a inauguração duma estátua.

Mas de tudo isso, Infowars não fala, apresentando o simpático Martinez como uma espécie de valioso insider e não como um palhaço, tal como ele é.

A descoberta da água quente...  

Voltemos ao assunto principal.

O artigo em questão é um bom exemplo disso: chegado ao fim, o Leitor fica com a impressão de que em Italia havia uma organização, chamada Gladio, ligada ao grupo extremista Ordine Nuovo, que operava por conta da CIA, e que esta foi a responsável do período chamado como "Anos de Chumbo" (década dos anos '70 até início '80), fazendo explodir uma bomba agora aí, agora lá, aterrorizando o cidadão para que este chamasse a polícia. No meio aparece também o Bilderberg.
A verdade é infinitamente mais complexa.

Havia Gladio? Com certeza. Estava ligada à CIA? Sem dúvida. Havia só isso? Não: havia muito, muito mais do que isso.
Havia o KGB, por exemplo (ou achamos que os Russos estavam a dormir?). Havia umas ideologias nascida nas fábricas (Esquerda), nas universidades (Esquerda e Direita), nos círculos nacionalistas (Direita). Foi aí que se inseriu Gladio, a qual não criou as organizações radicais, mas tentou explora-las (tal como aconteceu na Alemanha, por exemplo, com a Rote Armee Fraktion. Mas atenção: porque o extremismo italiano - ou alemão, francês, basco, etc. - tinha também uma rede de ligações internacionais terrivelmente complexa e intrincada, não apenas CIA ou KGB).

A CIA explorou organizações terroristas locais para criar uma estratégia da tensão e fazer que os cidadãos pedissem mais segurança ao Estado? Mas esta já não é uma notícia, qualquer pessoa em Italia sabe muito bem disso: sabe que as organizações de Direita recebiam dinheiro da CIA e aquelas de Esquerda do KGB. É normal, a Europa Ocidental da década dos anos '70 era o principal palco da Guerra Fria: nenhum País ocidental poderia ter tido um governo de Esquerda, tal como governos de Direita eram impensáveis no Bloco do Leste. E os dois lados estavam dispostos a tudo para não perder a guerra.

Imposimato aparentemente vai além disso: afirma que o Grupo Bilderberg esteve atrás da estratégia da tensão. Faz todo o sentido.

O Grupo Bilderberg é um conjunto de mordomos que executa ordens superiores. São servos, sem dúvida, mas dispõem de imensos recursos (muitos dos quais nem deles são: perguntem ao Rockefeller a quem deve a riqueza dele). Lógico que na altura da Guerra Fria escolhessem o lado "melhor" para o Grupo, o lado do assim chamado "Capitalismo" (com muitas aspas).

Pessoalmente ficaria muito espantado se um dia fosse revelado que o Bilderberg nunca tomou uma iniciativa ao longo da Guerra Fria. Estas "iniciativas" incluíam também a organização de ataques terroristas? Obviamente sim. Os mais curiosos podem ler o curto artigo de Wikipedia acerca da Operação Chaos (infelizmente está em Inglês: não há nada na versão portuguesa), só para ter uma ideia (reparem nas datas).

Portanto (e eis a notícia), o que Imposimato oferece é a ideia dum envolvimento "directo" do Grupo Bilderberg, graças a um documento que lhe foi entregue por um ex-membro de Ordine Nuovo. Provavelmente falamos aqui de financiamentos, pois o aspecto táctico ficava ao abrigo de Gladio (entre as cujas fileiras havia muitos militares). E Imposimato fala dum documento

Outra vez: faz sentido? Parece-me que sim, por causa do que foi dito até aqui. E seria particularmente bom poder ler o tal documento, isso sim que representaria uma autêntica novidade. E que por isso desconfio nunca irá acontecer.

Ferdinando Imposimato é pessoa credível? O curriculum dele fala por si: sim, em teoria é um dos poucos que sabe do que fala. Não vou fazer aqui a listagem dos méritos do juiz, pessoa que pagou em primeira pessoa as próprias escolhas (ver caso do irmão dele morto pela Máfia). Enquanto magistrado, foi o primeiro a falar de "pista russa" no já citado rapto de Moro. E isto apesar dele ser homem de Esquerda (lembramos: era a época da Guerra Fria). E foi sempre ele que falou, primeiro, da "pista búlgara" no caso do atentado contra João Paulo II.

Mas isso foi há muito, muito tempo atrás, antes dele entrar em política...

...e o que o juiz não explica

...porque agora há coisas que não batem certas. Há uns "todavia".

Todavia fico "chocado" ao aprender que Imposimato fica "chocado" por causa do envolvimento do Grupo Bilderberg. Um juiz que passou a vida a investigar obscuros enredos internacionais pensava no Bilderberg como uma espécie de lar?
 
Todavia Imposimato está na posse do documento há quase três anos (quem entregou-o foi Giovanni Ventura, morto em Buenos Aires em meados de 2010). E o juiz tem 80 anos. A intenção é uma publicação póstuma?

Todavia Imposimato há alguns anos entrou no PD, o Partito Democratico (a principal formação da Esquerda em Italia): foi este o mesmo partido que com Berlusconi apoiou o governo de Mario Monti, alegada escolha do Bilderberg.
Agora, duas datas:
  • 2010: Imposimato recebe o documento "sensacional" e fica calado.
  • 2011: Monti forma o governo.
  • Dezembro de 2012: Monti apresenta a demissão.
  • Fevereiro de 2013: Monti perde as eleições.
  • Abril de 2013: Imposimato revela ter o documento.
Lembro mais uma vez a frase dum outro político italiano, Giulio Andreotti (eis alguém que poderia contar tudo, mas tudo mesmo acerca de Gladio, CIA, terrorismo...):
Pensar mal dos outros é pecado, mas muitas vezes está certo.
Espero estar errado e quero confiar na vontade do juiz Imposimato para partilhar quanto mais cedo o tal documento.

Entretanto podemos continuar a ficar entretidos com o Grupo Bilderberg. Mas é cada vez mais complicado distinguir entre quem for um gatekeeper e quem, pelo contrário, limita-se a levantar poeira para entreter o povo.


Ipse dixit.

Fontes: InfoWars, ArticoloTre, Wikipedia (versão inglesa)

Subprimes? Two Pack!

...ainda com esta história da informação? Este blog é um bocado chato, não é? Pois é.

O facto é que no mundo acontecem coisas, mas nós podemos saber apenas uma fracção delas. E engana-se quem pensa que os media "trabalham para nós", escolhendo os assuntos mais importantes.
Há coisas excepcionalmente importantes que os media simplesmente não tratam.

Porquê? Deixamos que seja o Leitor a escolher a resposta.
Por enquanto, eis apenas dois exemplos.

Subprimes: às vezes regressam

Lembra-se o querido Leitor da história dos subprimes? Oh, nada de importante: foi apenas o factor que
desencadeou a crise de 2007, aquela que ainda não acabou. Atenção: não provocou, pois as origens ficam mais longe, mas despoletou.

Para simplificar: numa certa altura, os bancos dos Estados Unidos começaram a conceder empréstimos para a aquisição de casas sem que os clientes (até desempregados) tivessem uma real possibilidade de devolver o dinheiro obtido. Estes empréstimos de alto risco permitiam aos bancos criar produtos financeiros que depois geravam altos lucros. Obviamente o jogo durou alguns tempos para depois ruir e arrastar os bancos ocidentais e o sistema financeiro mundial.

Pensará o Leitor: "Bom, aconteceu uma vez, de certeza que aprenderam a lição".
Errado: não aprenderam.

Doutro lado, aprender o quê? Esta é uma doutrina económica na qual é preciso acreditar, não há nada que tenha de ser entendido. Por isso não espanta que seja o simpático Barack Obama, o Nobel da Paz, a tentar estimular a economia com empréstimos que os clientes não podem pagar.

Para os muitos incrédulos, aqui a fiel tradução do artigo do Washington Post:
A administração Obama pressiona os bancos a conceder empréstimos a pessoas com baixa classificação de crédito

É um esforço que os especialistas acreditam irá ajudar a recuperação económica, mas que os cépticos afirmam abrir as portas para empréstimos de alto risco que já causaram o colapso imobiliário. Os funcionários da administração garantem que trabalham para garantir que os bancos emprestem a um cada vez maior número de pessoas que aproveitam os programas governamentais, que oferecem seguros contra a falta de pagamentos.

É também pressionado o Departamento de Justiça para que conceda a garantia aos bancos, muito cautelosos, para que não tenham que enfrentar problemas legais ou financeiros ao conceder empréstimos a clientes que hoje cumprem os requisitos mas que amanhã podem sofrer uma bancarrota.
Em suma, para reiniciar o mercado imobiliário, os bancos devem começar a conceder empréstimos a todos, mesmo a quem tenha escassa capacidade de devolver o dinheiro obtido. Única diferença: se desta vez tudo ficar de pernas para o ar, será o Estado a entrar em cena com rios de dinheiro. Dinheiro público, claro.

Pensando melhor: aprenderam a lição, e bem. Em vez de esperar que o sistema entre em crise para depois ser obrigados a fazer saltos mortais para utilizar o dinheiro público e salvar os bancos privados, desta vez as coisas ficam claras desde já: o Estado convida os bancos privados a conceder empréstimos "descontraídos" e promete intervir com o dinheiro dos contribuintes caso as coisas corram mal.
Até faz pressões sobre o Departamento da Justiça para que tudo fique registado.

Aprenderam, sim senhor, aprenderam...mas disso não se fala nos diários ou nas televisões.
Esquisito.

Two Pack!

O Two Pack foi aprovado. Satisfeitos?
Como "O que é este raio de Two Pack agora?".
Ahhhh, entendo: ninguém vos avisou, não é?
Pouco mal, eis explicado. 

O Parlamento Europeu (12 de Março de 2013) aprovou o chamado Two Pack, isso é, a parte final do novo regulamento de estabilidade económica, que dá à Comissão um papel completamente novo: a possibilidade de opinar os orçamentos nacionais dos 17 Países da Zona NEuro (a partir de 2014) e, eventualmente, veta-los.

"Veta-los"??? Isso mesmo.
Até o final de Outubro de cada ano, os 17 Países da Zona NEuro terão de apresentar os seus orçamentos para o ano seguinte em Bruxelas. A Comissão Europeia (que, lembramos, ninguém elegeu) vai decidir caso a caso, examinando as contas apresentadas e, eventualmente, pedindo aos governos nacionais mudanças substanciais. E quem não obedecer? Fica com sanções, assim aprende o desgraçado.

Por isso: formalmente os Estados permanecem soberanos, na prática não, pois a Comissão Europeia tem o poder de recusar a aprovação do orçamentos nacionais e pretender modificações. A Comissão é mais importante do que os vários Parlamentos. Este é o Two Pack.

Ninguém tinha avisado o Leitor de que os representantes que elege para o Parlamento têm um poder limitado? De que há alguém, que nunca foi eleito, que pode impor a vontade dele nas política económicas do vosso País?

Lamento, mas é tarde demais, a lei já foi aprovada.
Olhe: azar.


Ipse dixit.

Fontes: The Washington Post, European Commission: Economic and Financial Affairs    

Coreia do Norte: cão que ladra…

Uma nova guerra?
A Coreia do Norte que ataca a Coreia do Sul e bombardeia os Estados Unidos?

Um conselho: não é o caso para ficar preocupados.
Poucos levam a sério as belicosas declarações dos comandos da Coreia do Norte. O nível de retórica do jovem Kim Jong Un parece querer furar a nossa atenção aumentando os tons, e consegue: se um chefe de Estado ameaça arrasar as cidades os EUA, inevitavelmente ganha os créditos dos meios de comunicação, faz levantar algumas sobrancelhas e também mais alguns helicópteros.

Pouco sabemos sobre a dinâmica interna do poder na Coreia do Norte, um estado eremita, mas não é difícil apostar que ninguém acha que pode vencer uma guerra contra os Estados Unidos, mesmo uma guerra termonuclear. Em Pyongyang não são suicidas, ou pelo menos não até este ponto.

Como ler os factos, então?
Talvez no futuro será possível saber algo mais, mas já há alguns pontos fixos.
  • O contexto das ameaças 
A cada ano, as forças armadas norte-americanas e aquelas da Coréia do Sul organizam grandes exercícios militares conjuntos perto da Coreia do Norte. Lá em cima o pessoal fica preocupado, tal como ficariam os EUA se um grande exército dum País considerado um inimigo estratégico fizesse manobras perto das costas americanas. Todos os anos tem havido protestos e às vezes há escaramuças de fronteira. Este ano é só tudo mais intenso.
  • O novo líder
As exercitações de 2013 são enfrentadas pela primeira vez pelo novo líder da dinastia da Coreia do Norte, Kim Jong Un. O avô e o pai dele tinham focado a liderança numa retórica hagiográfica, titânica e heróica dirigida contra inimigos poderosos: o descendente directo (oficialmente conhecido como o "Grande Sucessor") é imediatamente absorvido pelo papel.
É um teste importante: não pode mostrar fraquezas perante os inimigos, pelo contrário, precisa reforçar a sua posição com uma atitude ainda mais decidida. Inútil esperar uma linguagem tipo Papa Francisco, nada de "ternura" aqui: Kim Jong Un é um ditador imaturo que tem de justificar o próprio papel, não tanto aos olhos do mundo quanto aos dos seus compatriotas, que vivem numa bolha mediática separada da nossa.
  • A crise
O País encontra-se numa eterna crise alimentar e muitas vezes conseguiu acordos com o inimigo para obter ajuda. Ter um inimigo é bom para qualquer poder, um acordo é encontrado, é um cínicos do ut des que pode ser alimentado pela pressão das ameaças mútuas. Assim, dado que o teatro estratégico do Oceano Pacífico torna-se cada vez mais importante e dado que os EUA aumentam a presença no tabuleiro anti-chinês, um inimigo calha bem: quanto mais fortes serão as ameaças, quanto mais importantes serão (provavelmente) as concessões obtidas. Isso, pelo menos, nas previsões.

Entretanto, Moscovo não gosta: normal, é retórica, mas entretanto os meios são activados e pode ser suficiente pouco, até um erro, para transformar tudo num jogo mais sério.

Nem em Pequim estão felizes: a situação perturba a esfera de acção mais próxima numa altura em que o clima já está agitado por causa das novas tensões com o Japão (em disputa as ilhas de Senkaku-Diaoyu). E, claro está, ninguém gosta dum vizinho instável com armas nucleares: nas Nações Unidas, Pequim até votou contra os Estados Unidos para que fossem impostas novas sanções sobre o programa nuclear de Pyongyang.

A União Europeia perdeu outra ocasião para ficar calada: além das vazias declarações do costume (não “alimentar as tensões” e “retomar” o caminho da paz e da segurança), a UE considera “deplorável” a reactivação do reactor nuclear norte-coreano de Yongbyon. Só que Bruxelas esqueceu-se de explicar porque um País como a Coreia do Norte não pode utilizar a energia nuclear enquanto outros, que nem aderem ao Tratado de Não Proliferação Nuclear (israel: entre 200 e 400 misseis nucleares, Índia: entre 60 e 90 mísseis), podem e até são considerados "amigos".

Depois temos as declarações do secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-Moon, que afirma estar “profundamente preocupado”, mas nesta altura a questão já perdeu toda a seriedade.

13 toneladas invisíveis

E os Estados Unidos? Afinal qual a reacção do principal alvo da campanha mediática de Pyongyang?

Na semana passada, dois bombardeiros Stealth B-2 dotados de armas nucleares voaram até a Coreia do Sul para depois voltar, numa clara manobra de demonstração. Estes aviões "invisíveis" podem carregar bombas do tipo GBU-43/B MOAB, 13 toneladas cada uma, capazes de fazer um "buraco" no cimento até uma profundidade de 70 metros; o que representa, portanto, uma séria ameaça para as instalações nucleares subterrâneas e os principais centros de comando da Coreia do Norte.

Nos primeiros dias do mês, os bombardeiros americanos realizaram simulações de ataques aéreos com "efeito surpresa" nos céus da Coreia do Sul, úteis também para calcular os tempos de voo exigidos no caso da Coreia do Norte, o que faz lembrar os enormes e devastadores bombardeamentos efectuados sempre pelos EUA durante a Guerra da Coreia, em 1950.

Os jogos de guerra organizados em Março entre EUA, Austrália e Coreia do Sul, que foram concebidos como preparação para uma possível guerra contra o Norte, foram ignorados pelos media ocidentais, mas estão na base da reacção de Pyongyang. De facto, o novo líder norte-coreano Kim Jong-Un foi apenas eleito e já EUA, Japão e Coreia do Sul começam a colocá-lo à prova.

Mas qual o real grau de perigosidade da Coreia do Norte? Pyongyang ameaçou repetidamente arrasar a capital da Coreia do Sul, Seul, com o uso de 11 mil peças de artilharia pesada e baterias de mísseis escondidas em cavernas ao longo da DMZ, a zona desmilitarizada entre os dois Países. Os commandos e as baterias de mísseis do Norte têm também a tarefa de atacar todas as bases aéreas norte-americanas e as centrais de comando no Sul, tal como os 28.500 efectivos dos Estados Unidos na península.

Os mísseis de médio alcance norte-coreanos são apontados contra as bases continentais dos EUA no Japão, em Okinawa e Guam. O exército da Coreia do Norte, composto por 1.100.000 homens, está pronto para atacar o Sul, enquanto a imponente Força Aérea dos EUA deveria desviar parte da própria força actualmente utilizada em outros cenários, como o Afeganistão, numa altura em que as reservas de mísseis e a disponibilidade de bombas escasseiam e também os equipamentos apresentam sinais de desgaste. A crise é crise...

Todavia não podemos esquecer que os Estados Unidos estão acostumados a entrar em guerra contra pequenos Países, cujo perigo é propositadamente exagerado (Granada, Somália, Iraque, Líbia...): a Coreia do Norte é um País muito pobre, um dos mais pobres do planeta. A Marinha e a Força Aérea de Pyongyang seriam rapidamente destruídas pelos americanos e uma guerra poderia acabar após poucos dias.

Dinheiro e armas

No entanto, não está no interesse de Washington avançar neste sentido. Além dos óbvios problemas com a China (formalmente aliada da Coreia do Norte), sobraria um obstáculo não indiferente, representado pelo exército do Norte: 1 milhão e 100 mil homens, que o Pentágono traduz em perdas de 250 mil homens do exército americano. Além disso, é verdade que Pyongyang não dispõe de mísseis de longo alcance, mas poderia bombardear o Japão, eventualmente até com armas nucleares, o que pioraria ainda mais a situação.

Resumindo: entrar em guerra seria um suicídio do ponto de vista da Coreia do Norte e seria péssimo do ponto de vista americano, também consideradas as dificuldades económicas de Washington (o Ministério do Tesouro já "queimou" 2.000 biliões de Dólares no Iraque e no Afeganistão) e o facto das tropas actualmente empenhadas no Oriente Médio e Afeganistão não serem capazes de resistir a uma verdadeira guerra na Coreia.

Doutro lado, ninguém deseja uma guerra nesta altura: o objectivo de Pyongyang é chegar a um acordo de não-agressão com os Estados Unidos, em favor de relações directas e normais também com a Coreia do Sul. É verdade que Washington encontra uma resistência interna neste aspecto, dado que os neocons querem derrubar o regime da Coreia do Norte para que este deixe de fornecer armas aos inimigos de israel no Médio Oriente: mas, como vimos, as condições estão longe de ser ideais para uma intervenção armada e o simpático Obama nesta altura tem bem outros problemas.

Por isso, lamento, mas nada de guerra termonuclear. Não desta vez, pelos menos.


Ipse dixit.

Fontes: LewRockwell, Público, Megachip, Wikipedia

A epidemia

Por acaso é o contrário...
Morreu Hugo Chavez.
Nada aqui de comemorações: internet está cheio disso e as opiniões divergem. Cada um que fique com a própria.

Mas na Rede é possível encontrar também uma teoria, a mesma que circula há tempo e que foi retomada ontem pelo vice Mauro: foi uma conspiração dos americanos, a mesma que matou Arafat.

Será? Pode ser, os meios nem faltariam. E os escrúpulos não atrapalham. Mas...

Arafat morreu em 2006. No mesmo ano, Hamas conquista a maioria do Conselho Legislativo da Palestina. E Hamas não é propriamente tenra com israel. É depois da morte de Arafat que a Palestina apresenta o pedido de admissão nas Nações Unidas, algo que estraga os sonhos de israel. Se a morte de Arafat tinha como objectivo travar o movimento de libertação, o objectivo falhou.

Néstor Kirchner, presidente da Argentina, morre em Outubro de 2010 de ataque cardíaco. O poder é tomado pela viúva, Cristina. É ela que fecha a porta na cara do Fundo Monetário Internacional. A política do ex marido não apenas não muda mas torna-se mais acutilante.

Luiz Inácio da Silva ainda não morreu, mas é vítima de cancro também, tal como Chavez. O sucessor dele chama-se Dilma Rousseff e Lula prepara-se para voltar após o período sabático. A mesma Dilma é vítima de cancro, do qual recupera.

Fernando Lugo, presidente do Paraguai, é vítima de cancro em 2010. Está totalmente recuperado. 

Fídel Castro é vítima de doença também: mas em 2006, quando começam os problemas, Fidel já tem 80 anos. Será até comunista, mas não deixa de ser humano...

Conspiração? Fatalidades?
O número de vítimas "de topo" não deixa de ser muito suspeito, sobretudo quando for considerado o denominador comum: todos envolvidos na frente anti-imperialistas ou anti-EUA.

O caso mais gritante é aquele de Arafat, onde há mais do que simples suspeitas: o Polónio 210 estava aí, não é difícil imaginar os mandantes.

Mas na América do Sul?

Fidel está vivo, tal como Lula, Dilma, Lugo (que já tinha sido afastado com meios mais "democráticos"). E o presidente Kirchner encontrou digna sucessora. O único caso de "sucesso" poderia ser Chavez, sempre que a Venezuela agora mude de rumo. Algo improvável, sobretudo consideradas as primeiras declarações de Mauro.

Se foram operações encobertas, os êxitos são um fracasso. Talvez demasiados fracassos para ser obra do País mais potente e "mau" do planeta. Podem os Estados Unidos pensar que seja suficiente eliminar os homens para acabar com as ideias também? Nada pode ser excluído e a dúvida fica.

A palavra aos Leitores.


Ipse dixit.

O Cavalo de Tróia

Durante o tradicional discurso sobre o Estado da União, o simpático Barack Obama anunciou a abertura de negociações com a União Europeia.
O assunto é uma parceria global para o comércio transatlântico e os investimentos comuns entre os dois lados do oceano.

Poucas horas depois, eis que o "creme" político do Velho Continente confirma as declarações de Obama com os profundos pensamentos dos Presidentes do Conselho Europeu, Herman Van Rompuy, e da Comissão Europeia, José Manuel Durão Barroso.

Breve ressalva: os cidadãos europeus não elegeram Van Roumpy e não elegeram Barroso que, portanto, falam a título pessoal. Só para lembrar.
Vamos em frente.

A criação dum mercado transatlântico é apenas parte de um projecto maior, que inclui a criação de um governo supra-institucional com um Conselho Económico Transatlântico, um Conselho Político Transatlântico e uma Assembleia Parlamentar Transatlântica. Arrepios nas costas? Então preparem-se: estes órgãos já existem, foram criados sem qualquer publicidade, sem que ninguém pudesse dizer "sim" ou "não". Existem e ponto final.

A arquitectura destes Concelhos segue um projecto muito antigo, que tem como objectivo criar um grande bloco "capitalista" (aspas bem necessárias) que consiga unir todos os Estados "capitalistas" (idem) sob a influência anglo-americana. Peguem no velho Plano Marshall, no Tratado do Atlântico do Norte, tirem o pó e depois perguntem: o que será aquela "União Transatlântica"? E a "Nato económica"?

Thierry Meyssan, jornalista francês, faz notar como nos Estados Unidos este projeto não seja seguido pelo Departamento do Comércio, mas pelo Conselho de Segurança Nacional. E não admira: as raízes encontram-se não nos ideais do livre mercado mas numa precisa politica de expansão e controle do modelo americano.

Em teoria a ideia parece fazer sentido: pega-se em duas áreas económicas em crise, juntam-se, facilitam-se as trocas e reza-se. Em teoria. Mas aqui, no Velho Continente, sabemos como funcionam estas coisas, temos décadas de experiência nesse sentido. Alguém acha de verdade que a "sopa das pedras" poderá substituir o hot-dog? A ginginha a Coca-Cola? Ou acontecerá o contrário? Quantas revendas de pasteis de Belém existem nos EUA? Quantos McDonald´s na Europa?

A Europa é um mercado de mais de 800 milhões de pessoas, mais de 500 milhões só na União Europeia. É este o público que, uma vez removidas as barreiras tarifárias (inclusive e sobretudo os regulamentos locais) serão os alvos dos frangos tratados com cloro, do gado com hormonas, dos OGM.

Queremos falar do tratamento dos dados pessoais? Não vale a pena, já podemos ter uma ideia: por enquanto o Velho Continente segue uma política que, todavia, terá de ser mudada. Pensem em conceitos como "bem comum", "interesses mútuos", acrescentem termos como "parceiro", (não "aliado" que faz lembrar as guerras), "mercado", "crescimento", "exportações". Sim, definitivamente: teremos que rever  os nossos princípios, será imperativo. Facebook e Google esperam: têm paciência, sem dúvida, mas não é simpático fazer esperar.

Sempre Meyssan faz notar outro aspecto deveras interessante: em 2009-2010, o simpático Obama montou uma comissão presidida pelo conselheiro económico Christina Romher, uma especialista da Grande Depressão de 1929.  Segundo Cristina, a única solução para a actual crise dos Estados Unidos consiste em causar uma transferência de capitais europeus para Wall Street. Para isso, Washington fechou a maioria dos paraísos fiscais não-anglo-saxões, em seguida, começou a tratar do Euro.

"Agência de rating", não sei se isso diz alguma coisa. Dívidas nacionais sob ataque, baixas nas avaliações das economias europeias...começamos a ver um luz no fundo do túnel, não é? Exacto.
Mas nem tudo correu como planeado neste sentido, então eis a solução do simpático Obama: uma Nato económica. Tudo muito, muito mais simples.

Parece tudo muito "estranho"? Não, "estranho" seria o contrário. O mar. E a História, como sempre.
Os anglo-saxões sempre foram uma potência marítima, continuarão a sê-lo. Era esta a ideia que estava por trás da Carta Atlântica, a base da Nato. Limitam-se a seguir uma propensão natural, é algo que sabem fazer, e bem. Mudar seria "estranho". 

Porquê agora?
Porque a altura é delicada: o Euro hoje existe, amanhã não sabemos. É uma altura de escolhas. E a Europa teria muitas mais afinidades com a Rússia (por exemplo, veja-se na área da energia). Se o desejo for salvar a economia americana, a solução passa por atravessar o mar e atrair o capital europeia.

Claro, isso tem custos. Mas os custos maiores ficariam nas carteiras dos cidadãos europeus. Pelo que...

Duas últimas notas:
  1. Fica mais claro o papel das Mentes Pensantes de Bruxelas e as escolhas delas. Nada de políticas suicidas, a austeridade tem um claro objectivo de médio prazo. O Euro é sacrificável, tal como os cidadãos europeus.
  2. Christina Romher é a mesma pessoa que aconselhou e ajudou Cristina Kirchner para afastar o Fundo Monetário Internacional da Argentina. Louvor para estas pessoas que têm a capacidade de saltitar dum lado para outro da barricada com uma espantosa naturalidade. Ideais? Têm um gosto de mofo.

Ipse dixit.

Relacionado: As duas Cristinas

Fonte: Thierry Meyssan via Megachip