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Category Archive: União Sovietíca
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A História oficial
A História, sabemos isso, é escrita pelos vencedores. E dos vencedores temos também que respeitar as leis, mesmo que estas defendam falsidades.
A Lituânia, por exemplo: pequeno País da antiga União Soviética: pouco mais de 3 milhões de habitantes, culturalmente próxima da Polónia, república independente desde 1918, a partir da II Guerra Mundial parte integrante do território gerido por Moscovo. Até 1990, quando consegue recuperar a própria independência.
Aqui a historiografia oficial explica que os Soviéticos tentaram recuperar o território lituano com um golpe de Estado, em 1991: a heróica resistência do civis, culminada no massacre de 14 pessoas e o ferimento de outras 700 na torre da televisão, ditaram o fracasso da tentativa e a definitiva liberdade da Lituânia.
Hoje a pequena república é parte da União Europeia e da Nato. Então acontece que um jovem lituano, Algirdas Palezkis, líder do pequeno Partido Socialista local, é indiciado pela justiça do seu País por ter "questionado a veracidade" da versão oficial dum episódio sangrento que é oficialmente considerado o acto mais marcante da independência da nova Lituânia: o massacre da torre da televisão de Vilnius, no dia 13 de Janeiro de 1991.
Mas qual a culpa de Palezkis? Pelazkis limitou-se a enunciar as revelações de quem organizou" a provocação: o nome dele é Audrius Butkiavicius, na altura chefe de segurança da capital lituana, mais tarde ministro da Defesa.
Em 2000 deu uma entrevista ao jornal de língua russa Obzor. A culpa de Palezkis é ter lembrado a existência desta entrevista. Não é uma reconstrução histórica: é apenas lembrar as palavras de quem organizou a morte de próprios concidadãos para obter um efeito político..
A tropas russas não fizeram mortos. A investigação do Kremlin, em seguida promovida por Mikhail Gorbachev, permitiu verificar que os soldados não tinham munições nas armas, tal como os tanques. Os assassinos foram pessoas nunca identificadas que atiraram a partir dos telhados dos edifícios circundantes, directamente sobre a multidão.
As autópsias realizadas nos corpos da vítimas (corpos logo feitos desaparecer nos dias após o massacre) mostraram que tinham sido usadas espingardas e outras armas que não pertenciam ao exército russo. Butkiavicius tinha organizado tudo: tinha feito massacrar os próprio concidadãos.
Butkiavicius, obviamente, vive em Vilnius e goza de todas as honras do caso enquanto libertador de seu País. Nem mesmo a entrevista levou a uma incriminação ou, pelo menos, uma investigação.
Há, no entanto, as testemunhas que ainda vivem: são os Lituanos que viram donde os disparos foram efectuados. Mas nunca foram ouvidas.
O professor Vytautas Landsbergis, agora deputado, então presidente do Soviete Supremo da Lituânia, naqueles dias disse que "não há liberdade sem sangue". Em resumo: o fim justifica os meios. E o professor Gene Sharp, que ainda dirige o Instituto Einstein, publicou um livro traduzido em todas as línguas do mundo com o título "Como vencer um regime com a não-violência". Porque 14 assassinados e 700 feridos não é "violência".
As teorias de Butkiavicius conhecem agora uma assinalável vaga de revivalismo: Líbia e Síria são os teatros de guerra onde são amplamente utilizadas. Porque as pessoas, às vezes, se levantam. Mas para onde vão, isso é decidido pelos vários Butkiavicius e Sharp.
Ipse dixit.
Fontes: La Voce delle Voci, Ozbor (nota: o link aponta para a página do diário russo traduzida com Google Translation: nela é contido o elenco das quatros partes nas quais a entrevista com Butkiavicius está dividida. A parte mais importante é esta), Inosmi.
A Lituânia, por exemplo: pequeno País da antiga União Soviética: pouco mais de 3 milhões de habitantes, culturalmente próxima da Polónia, república independente desde 1918, a partir da II Guerra Mundial parte integrante do território gerido por Moscovo. Até 1990, quando consegue recuperar a própria independência.
Aqui a historiografia oficial explica que os Soviéticos tentaram recuperar o território lituano com um golpe de Estado, em 1991: a heróica resistência do civis, culminada no massacre de 14 pessoas e o ferimento de outras 700 na torre da televisão, ditaram o fracasso da tentativa e a definitiva liberdade da Lituânia.
Hoje a pequena república é parte da União Europeia e da Nato. Então acontece que um jovem lituano, Algirdas Palezkis, líder do pequeno Partido Socialista local, é indiciado pela justiça do seu País por ter "questionado a veracidade" da versão oficial dum episódio sangrento que é oficialmente considerado o acto mais marcante da independência da nova Lituânia: o massacre da torre da televisão de Vilnius, no dia 13 de Janeiro de 1991.
Mas qual a culpa de Palezkis? Pelazkis limitou-se a enunciar as revelações de quem organizou" a provocação: o nome dele é Audrius Butkiavicius, na altura chefe de segurança da capital lituana, mais tarde ministro da Defesa.
Em 2000 deu uma entrevista ao jornal de língua russa Obzor. A culpa de Palezkis é ter lembrado a existência desta entrevista. Não é uma reconstrução histórica: é apenas lembrar as palavras de quem organizou a morte de próprios concidadãos para obter um efeito político..
Pergunta da jornalista, Natalia Lopatinskaja: Foi o senhor que planeou as mortes de Janeiro?
Resposta de Audrius Butkiavicius: Sim...realmente não posso justificar-me perante os parentes das vítimas, mas posso fazê-lo perante a História. Quero acrescentar: as baixas infligiram um golpe decisivo contra os dois principais pilares do poder soviético, o exército e o KGB. Digo abertamente: eu organizei tudo. Tinha trabalhado por um longo período no Einstein Institute, com o professor Gene Sharp, que estava no comando do que era então chamada de defesa civil. Isso é, guerra psicológica.
Coloquei o exército soviético numa posição psicológica pela qual cada oficial teria tido vergonha de estar nele envolvido. Era isso, uma guerra psicológica. Sabíamos que nesse conflito não teria sido possível vencer caso tivéssemos feito uso da força. Tudo isso ficou claro. Por isso tentei transferir a batalha para um outro nível, o nível psicológico. Posso apenas dizer que fui eu que ganhei, porque aqueles planos não violentos de defesa tinham sido preparados muito antes dos acontecimentos de Janeiro.
A tropas russas não fizeram mortos. A investigação do Kremlin, em seguida promovida por Mikhail Gorbachev, permitiu verificar que os soldados não tinham munições nas armas, tal como os tanques. Os assassinos foram pessoas nunca identificadas que atiraram a partir dos telhados dos edifícios circundantes, directamente sobre a multidão.
As autópsias realizadas nos corpos da vítimas (corpos logo feitos desaparecer nos dias após o massacre) mostraram que tinham sido usadas espingardas e outras armas que não pertenciam ao exército russo. Butkiavicius tinha organizado tudo: tinha feito massacrar os próprio concidadãos.
Butkiavicius, obviamente, vive em Vilnius e goza de todas as honras do caso enquanto libertador de seu País. Nem mesmo a entrevista levou a uma incriminação ou, pelo menos, uma investigação.
Há, no entanto, as testemunhas que ainda vivem: são os Lituanos que viram donde os disparos foram efectuados. Mas nunca foram ouvidas.
O professor Vytautas Landsbergis, agora deputado, então presidente do Soviete Supremo da Lituânia, naqueles dias disse que "não há liberdade sem sangue". Em resumo: o fim justifica os meios. E o professor Gene Sharp, que ainda dirige o Instituto Einstein, publicou um livro traduzido em todas as línguas do mundo com o título "Como vencer um regime com a não-violência". Porque 14 assassinados e 700 feridos não é "violência".
As teorias de Butkiavicius conhecem agora uma assinalável vaga de revivalismo: Líbia e Síria são os teatros de guerra onde são amplamente utilizadas. Porque as pessoas, às vezes, se levantam. Mas para onde vão, isso é decidido pelos vários Butkiavicius e Sharp.
Ipse dixit.
Fontes: La Voce delle Voci, Ozbor (nota: o link aponta para a página do diário russo traduzida com Google Translation: nela é contido o elenco das quatros partes nas quais a entrevista com Butkiavicius está dividida. A parte mais importante é esta), Inosmi.
66 anos atrás
E falamos de quê?
Da revolta em Londres?
Da crise económica?
Não, é Verão, está um lindo dia de sol, aproveitamos para tratar dum assunto mais leve. Que tal Hiroshima e Nagasaki?
Hoje é o 66º aniversário da explosão atómica em Nagasaki, apenas três dias após o de Hiroshima. São datas importantes, por varias razões.
Assinalaram o fim da Segunda Guerra Mundial; inauguraram a “Era Atómica”; e, como último pormenor, marcaram a morte imediata de cerca de 220.000 pessoas, quase todos civis.
Obviamente, explicam os sagrados textos, foi um “mal necessário”. Era preciso obrigar o Japão à render-se, caso contrário a guerra poderia ter acabado só após longos meses.
Esta é a versão ocidental, pois no Japão as coisas são vistas de forma um pouco diferente: os bombardeios foram desnecessários, uma vez que a preparação para a rendição já estava em progresso em Tóquio.
Qual a verdade?
No verão de 1945, o Japão estava virtualmente derrotado, a sua Marinha no fundo do oceano, a força aérea limitada pela escassez de equipamentos e combustível, o exército sofria derrotas em todas as frentes e as cidades eram submetidas a bombardeios contra os quais não havia defesas.
Alemanha já estava fora do conflito, os Estados Unidos e o Reino Unido estavam prestes à usar todo o seu poder contra as remanescentes forças armadas japonesas. Enquanto isso, a União Soviética estava a preparar-se para atacar o continente asiático: o Exército Vermelho, depois de ter derrotado Hitler, estava pronto para atacar outro lado da fronteira da Manchúria.
Muito antes de Hiroshima e Nagasaki, os serviços de intelligence dos EUA tinham alertado que os Japoneses se renderiam imediatamente após a União Soviética entrar no conflito na Ásia: Tóquio estava consciente de que a guerra tinha chegado ao fim e que nunca poderia ter sustentado um conflito com duas frentes. Em 29 de Abril, um documento do Estado-Maior Geral da intelligence relatou: (mais…)
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